E a lágrima cai-me em espanto. Diz o Velho que assim morrem as rosas e que, ao abandono em que restamos, resta apenas o desespero dos que, condenados, ladram à eternidade. A rosa flutuante rio abaixo, trágica companhia de Ofélia, a final dimensão do impossível. E nós, num sereno autismo, aguardamos a vinda das chuvas.

  1. Mia

    Que venham as chuvas. Que caiam sobre nós as águas. Que me rasguem a carne e me fendam a alma. Que afoguem e afaguem a vontade e o querer. Que venham as chuvas. Que caiam em tormenta, que se transformem num enorme rio que extravase as margens, que inunde o árido, o vazio. Que venham as chuvas. Que cessem apenas quando não houver mais querer no meu ser. Quando apenas restar ossos, veias, artérias, músculos, tendões… Quando apenas restar sombra. Que venham as chuvas.

  2. Guilherme Roesler

    Carlos,

    belo texto!

    Abraços, Guilherme

  3. elisabete cunha

    Querido amigo Carlos: Me abandonou?
    O blog está impecável, bom gosto!
    não gostaria de perder o contato.
    um abraço!
    http://www.elisabetecunha.wordpress.com




Leave a Comment


You must log in to post a comment.