Archive for the 'histórias de polvos' Category
E como é ser como tu? É ser metade quando se sente por inteiro? É ter ganas de chegar sempre na partida? Ou de partir sempre na chegada? É ser tormenta, vento veloz que sacode, acorda, fustiga? É ser profundo no toque, suave no embate? Como é ser como tu? É viver junto ao abismo [...]
Olha para mim. Estou aqui, sou parede intrusa no teu circuito habitual. Esbarra-te em mim e concede-me os teus segundos de adoração. Fixa-te nos pormenores e contenta-te com a alta resolução da imagem, da imaginação. Queres-me ou queres ser como eu?
OlhO de Carlos José Teixeira
Já te engomei a roupa. Já te arrumei a casa. Já te fiz o jantar, deixei-to no micro-ondas. Deixei-te preparado o fato para amanhã, aquele das reuniões. Não jantes sem aqueceres a comida. Faz por te deitares cedo. Se eu não estiver na cama, não te incomodes. E não me incomodes.
OlhO de Aaron Hawks
Lamento dizer-te mas o pecado não mora ao lado. Lamento desiludir-te mas o pecado não mora em lado algum. Não sei se irás conseguir viver assim, no vácuo moral a que te remeto de ora em diante mas, na verdade, o pecado não existe. Que fazer?
OlhO de Matt Lombard
Não me recordo do dia em que deixei de ser criança. Provavelmente chovia ou estaria, de uma forma ou de outra, mau tempo. Não creio ser possível deixarmos de ser criança num dia de sol. Ou talvez tenha sido à noite, no escuro, que sucedeu aquele tempo em que qualquer coisa que se parece [...]
Entras e, uma vez lá dentro, tens que ter cuidado para não topeçares numa das milhentas caixas que por ali jazem ao acaso. Os ficheiros já arrumados, nas inúmeras gavetas dispostas nas inúmeras paredes, por ali ficam, silenciosos, sem ditos nem achados. Cada um deles no lugar preciso, na localização perfeita, por ordem cronológica [...]
Poderia dizer-te o lugar comum do desejo de Paz entre os Povos, poderia cantar-te a canção do costume, a dos desamparados da vida, dos desalojados, das crianças em guerra e em fome. Poderia, mesmo honesto, dizer-te que te desejo umas boas festas.
Mas a verdade é que nem sequer me importam as festas. Não [...]
E, no fim, de que te adiantou tentares nadar até à praia? Não teria sido mais ajuizado deixares-te levar pelas sereias? Foi o que ganhaste: morreste cansada.
OlhO de Aaron Hawks
As paredes nuas e brancas não reflectem imagem alguma. Fazem-me pensar que talvez não estejamos aqui, que talvez sejamos apenas os fantasmas de nós próprios. Não é suposto falarmos em voz alta. Sussurremos apenas o indispensável para que não acordemos. Letárgicos, anfíbios, espessos, viscosos.
OlhO de deFocused
Consegues ouvir os GRITOS? Consegues escutá-los por entre o ruído da chuva? Hoje é dia de não. Hoje rebentam os diques. Hoje corremos para salvar os animais. Hoje não limpamos as lágrimas, deixámo-las misturar-se com a água que nos escorre do corpo. Consegues ouvi-los agora? Consegues escutar os GRITOS por entre o vento e o [...]