OPOSIÇÕES VINDAS DAS BRUMAS DO NORTE DE ÁFRICA
O que Santana Lopes e Paulo Portas têm em comum é a mais completa incapacidade de resposta a José Sócrates. São, um e outro, falsos D. Sebastião da oposição [rima] que, até à data, nada têm feito, um como deputado, outro como alimentador da escrita e imprensa côr-de-rosa.

OPOSIÇÕES INTESTINAS
Existem pessoas que não alinham pelo diapasão político. Seria bom que mais algumas assim fossem. O que Ana Gomes continua a fazer é a resistência à política do poder pelo poder, a conservar a lucidez de quem tem consciência dos mais desconhecidos e desprezados constituintes da Democracia: o Povo e a Liberdade. Tem história política semelhante a, entre outros, Pacheco Pereira e Durão Barroso, e conseguiu manter a lucidez do primeiro sem, no entanto, fazer concessões, ao mesmo tempo que contrariou a sede de poder do último, sem se colar à cadeira. É uma política cada vez mais apartidária, uma idealista sem moda.

SALAZARISMOS
A oposição à Casa-Museu dedicada a Salazar parece-me bacoca. Salazar foi uma das figuras indeléveis da História do País e não é justo que não tenha a sua oportunidade de figurar no Panteão das Ilustres Figuras do Fascismo, da Tortura, da Censura, do Autismo, da Guerra Colonial, da Opressão, do Assassínio dos Direitos Humanos. Eu sou a favor do Museu. E contra o esquecimento.

Já agora, andem meia dúzia de quilómetros e vão a Cabanas de Viriato onde a casa de Aristides de Sousa Mendes apodrece ao sabor do tempo e da indiferença.

DIA MUNDIAL DA MULHER
Foi um dia que não constou no calendário de Teerão. A 4 de Março, uma manifestação de mulheres das ruas da cidade foi violentamente reprimida pelas autoridades policiais e 21 manifestantes foram presas. A 8 de Março não existiu nada que fizesse crer que Teerão faz parte do Mundo. Pelo menos no que aos direitos das mulheres concerne. E a pergunta é: Alguém notou?

COISAS ESTRANHAS
Organic food may be no better for the environment than conventional produce and in some cases is contributing more to global warming than intensive agriculture, according to a government report.” A ler AQUI.

POLÍTICA POPULAR FINLANDESA PARA A VELHICE
@ Lusofin

METABLOGGERS DO IT BETTER
À pergunta muitas vezes repetida “para que serve um blogue”, respondo, sem hesitar, que serve para o que os seus autores quiserem que sirva. Acontece, em alguns casos, não servir para rigorosamente nada ou para alguma coisa que só os seus autores sabem o que é (e muitas vezes nem eles). Não deixam de ter interesse – nem leitores – por causa disso. Por vezes, até muito pelo contrário. O meu agradecimento a todos os blogues que não servem rigorosamente para nada. Com eles aprendo e partilho gostos quase diariamente. Thanks!
@ Bomba Inteligente

NETIQUETTE
É o Paulo Querido a dar em Paula Bobone. Mas para melhor.

Mas o assunto não podia ficar por aqui. Festejado que está o dia da Mulher, a ressaca não pode ser maior. Cada uma delas teve que enfrentar o dia de hoje como enfrentou o de anteontem – e o de ontem -, a labuta diária.
Mas há uma coisa que tenho que dizer, desculpem-me as mulheres. As imagens de reportagem no telejornal de hoje, a ilustrar as comemorações de tantas mulheres por esse país fora, a das discotecas algarvias fechadas a homens sugerem alguma reflexão e, sem moralizar, passo apenas a mandar umas “bocas para o barulho”.

O QUE OS HOMENS NÃO FARIAM SE EXISTISSE O DIA MUNDIAL DO HOMEM
  • Ir a um bar onde estivesse proibida a entrada a mulheres
  • Subir ao palco para se agarrarem à stripper [é perigoso…]
  • Estar uma noite inteira a dançar com o amigo
  • Divertir-se com umas mamas e umas vaginas de plástico atadas à cabeça ou espalhadas nas mesas
  • Chegar a casa tão cedo

Pois… a tal falta de sensibilidade…

» bom dia!

[boa tarde]
Sol, uma vez mais, e desta feita a conseguir mesmo ler um pouco de Ovídeo, pelo meio da manhã, numa breve escapada ao trabalho. “A arte de Amar”, manual de instruções perfeitamente actual para o[a] sedutor[a] principiante escrito na forma mais extravagante que um latim de época permitia. A lê-lo com atenção para tentar compreender as coisas que ouvi ontem num programa de rádio acerca das diferenças entre homens e mulheres, compreensão a exigir apenas o filtro cultural que permite anular o efeito do tempo que separa as duas épocas.
De uma coisa tenho a certeza: a tal falta de sensibilidade de que sou geralmente acusado [e a fazer-lhe honras vaidosas pois, tanto quanto parece, é sinal de masculinidade], está para continuar. Não a considero um defeito em si, o que poderá ser considerado defeito é a forma descabida como ela se manifesta, mas isso é outra coisa. Haja paz, reconheçam-se os espaços próprios de cada “espécie” e, sobretudo, os seus direitos intrínsecos à condição humana, pois homens e mulheres somos apenas isso. Cada um de nós.
A acabar a quota de pensamentos repentinos de hoje, fica a ideia de que sempre existirá uma “guerra de sexos” e que esta não é necessariamente negativa. Talvez seja, pelo contrário, o verdadeiro motor social.

Há alturas em que vale a pena ler blogs e ter tubarões por camaradas. Evitam-se algumas gaffes graves.
HOJE É DIA INTERNACIONAL DA MULHER.

HOJE E AMANHÃ.

E DEPOIS.

SEMPRE.

DE TODAS AS MULHERES.

» bom dia!

Sol!… Começaram os dias em que saio de casa com luz e consigo retornar no lusco-fusco.
Levantar calmamente, tomar um banho prolongado, pequeno almoço completo enquanto digiro o jornal. Um café forte e uma cigarrilha no final acompanhados de uma leitura pausada de Ovídio, por exemplo [nada como iniciar o dia com amor], e seguir lânguidamente o tempo do dia até ao seu final.
Ou então levantar, banho rápido, café à esquina. Tratar relatórios em atraso, análise estatística em dia, reunião em Gondomar ao final da manhã, regresso à base, tratamento dos pendentes em Espanha, argumentação para o site, estatística para a Alemanha, reunião às 17:00 com Cliente. A seguir, aulas das 18:30 às 23:00. Finalizar o dia com uma bucha engolida sofregamente a ver a SIC Notícias. Tentar dormir e não acordar no dia seguinte – já não tão seguinte – com o corpo dorido.
.
Tenho que deixar de fumar definitivamente, de beber álcool, de comer como um alarve, começar a ir regularmente ao ginásio, andar mais a pé. Um destes dias. E abrandar.

Se forem a http://en.wikipedia.org/wiki/10,000_Days ficam a conhecer muita coisa acerca do álbum “10.000 Days” dos Tool. Críticas, porquê das críticas, aquilo das lentes de visão stéreo para vermos as figurinhas a saltar, etc. A única coisa que a página não faz é deixar escutar as músicas. – nem esta, nem tão pouco a página oficial dos Tool que, de resto, nem sequer menciona este álbum… melhor para os conhecer continua a ser a Wikipédia, em http://en.wikipedia.org/wiki/Tool_(band).
Este é um álbum que vem modificar subtilmente a linha dos anteriores e que “arrasta a asa” ao pop, não deixando de ser mais uma obra com uma essência que vai beber às influências do rock progressivo e ao metal mais obscuro, muito embora a banda seja conotada, em certos circuitos, como fazendo uma espécie de “hard-rock”, etiqueta com a qual não concordo muito, tanto pela musica como pela atitude. Mas isso não interessa nada, diria Teresa Guilherme.
O que se pode ouvir em 10.000 days é mais uma dose de trabalho conceptual de refinamento estético dotado de uma sobriedade muito rara nos que se aventuram no labiríntico mundo da música progressiva. Continuam a pautar-se pela complexidade rítmica e harmónica que lhes deu ser sem cederem aos trejeitos facilitistas com que muitos pereceram.
Desde a primeira música, o single “Vicarious”, somos levados na obscuridade característica do universo dos Tool, não sendo necessário recorrer nem aos tais óculos que só estorvam na abertura da capa, nem aos excepcionais vídeos da banda, para sermos de imediato levados na corrente. Continuando a usar e abusar dos contrapontos de bateria e da voz melancólica, desta vez a guitarra assume outros contornos, sendo por vezes visível alguma influência de Robert Fripp [ok, chamem-me o que quiserem mas o seu fantasma anda por lá]. As electrónicas aparecem na justa medida e não é porque uma das músicas parece ter saído de um software tipo Magix que perdem o “andamento” do álbum. Resulta bem.
Vale a pena ouvir, se bem que na minha modesta opinião [até porque nem sequer é paga…] este trabalho não tenha o carisma que “Aenima” ou “Lateralus” ostentam.
Mas dá para ter em casa ou no carro, está a venda na FNAC por 11 Euros.
Fica o apontamento:

Se forem consultar as visitas a este blog [ http://concerteza.blogspot.com/ ], hão-de reparar que por esta data, no seu sexto dia de existência, consegui prender a atenção a 2 – dois! – 2 leitores.
Esta espectacular dimensão de insignificância tende a manter-se na medida em que os textos por aqui publicados tenham o valor que vão tendo que, de relativo que é, não considero escapar à média de qualidade que se pode obter na blogosfera.
O intróito, longe de querer estar a dar ares de “desgraçadinho incompreendido”, quer antes servir de ponto de partida para as comparações que se seguem.
Este blog segue exactamente a mesma “linha editorial” que outros blogs que tenho mantido. Casos há em que o “sucesso” foi repentino, em outros a coisa andou bastante mais lenta, em outros ainda tudo ficou em águas de bacalhau durante longos dias de “postagem” solitária [casos em que postagem vai dar invariavelmente em compostagem e devido armazenamento em local apropriado].
Qual a diferença entre eles, dado que o objectivo, a motivação, a linha, a qualidade do texto é exactamente igual entre eles? Vamos ver.

» bom dia!

I
Uma das coisas mais esquisitas que me pode acontecer é andar de um lado para o outro com um frasco de amostra de urina que, em vão, vou tentando disfarçar. Olho para todos os outros portadores de frascos de urina que os embrulham em papel higiénico, em saquinhos plásticos, em folhas de jornal e vejo que não adianta, simplesmente não adianta. Num laboratório de análises clínicas sabemos que o que está ali é um frasquinho de urina que, lentamente, vai arrefecendo. Um desperdício nosso, uma intimidade devassada. Estranho, não é?
Especialmente estranho se pensarmos que há um ano que não faço análises… talvez seja de ter visto ontem aquelas duas equipas a jogar futebol.
II
Gostei de o ver, colarinho aberto, sorriso pepsodent, cabelinho penteado à moda, roupinha bem escolhida, uma personalidade que oscila entre o azeiteiro blazé e o rapazinho recém-licencioso. Parace ter acordado para a vida, o Paulo Portas. Agora, vamos ver se acordou para a política…
III
Sol, finalmente!

» concerteza!

Quinta-feira, 1 de Março de 2007

Este blog vem de uma zanga com o WordPress.com. Uma birra, por assim dizer. Mas não é só.
Realmente, ando a ficar um bocado farto disto dos blogs. Mas aparentemente a coisa vicia e acabo por vir cá dar duas tecladas um vez por outra, que é como quem diz todos os dias.
Como as coisas não andam a resultar da forma que eu queria, creio que o melhor é mesmo não atribuir um objectivo a este blog. Fica, assim, mais ou menos ao sabor dos ventos e das marés, pelo menos enquanto não dá em coisa mais séria. E espero que não dê. Preciso de descanso.
Entretanto, bem vindos todos. E voltem sempre que queiram!

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