Arquivo de Outubro, 2006

PLÁGIO EQUATORIAL [FINAL]

PORQUE JÁ ESTOU A GASTAR TEMPO E LARGURA DE BANDA EM DEMASIA COM LANA CAPRINA.

No entanto, este assunto merece alguma reflexão.

Contrariamente ao que Miguel Sousa Tavares afirma acreditar [e que eu não creio que ele acredite], a blogosfera é coisa importante na sociedade de comunicação. Não o fosse e ele não lha teria dado desta forma.

Não querendo falar dos dividendos que desta acção possam resultar para todos os intervenientes, de um lado e do outro, não querendo falar da súbita subida de audiências neste blog – que já ultrapassou as referências à Floribella e ao Abrupto – , não querendo ainda pensar que tudo se trate de uma enorme conspiração [uau!], vou falar apenas de alguns pontos que me parecem importantes referir, tendo em conta o caso presente:

1. A IMPORTÂNCIA DA BLOGOSFERA ENQUANTO MEDIA

  • Ficou demonstrado que a blogosfera pode agir como catalisador de opinião. Contrariamente ao que MST diz acreditar, a blogosfera consegue, com a maior das facilidades, provocar acontecimentos. Os jornais onde MST escreve, embora sejam uma ferramenta de comunicação credível e de mais ou menos comprovada isenção e ética, movem-se num circuito fechado e num limite de espaço e tempo que a blogosfera ultrapassa e muito. A blogosfera é uma ferramenta aberta e tem por espaço a imensidão do Mundo. Isso é assustador para as mentes mais torpes e entusiasmante para a maioria dos bloggers. E, se por um lado existe tanta “palha” na blogosfera, esta existe também na imprensa tradicional. À sua semelhança, o público escolhe as suas referências e preferências e todos vivem em comum, tal e qual o Público ou o Expresso convivem com as revistas cor de rosa, tal e qual as revistas de saúde convivem com a FHM. Não existem melhores ou piores, existem as mais credíveis e as menos credíveis e isso tem a importância que o público lhe atribui. No final, apenas existem as de que gostamos mais ou menos. Tal como na literatura, na pseudo-literatura e por aí fora.

2. A FALÁCIA DA BLOGOSFERA ENQUANTO MEDIA

  • Ficou demonstrado que o entusiasmo do ponto 1 deve ser medido. Este caso apresenta contornos excessivamente obscuros para continuar a ser levado a sério. A formação de um site de acusação, a sua modificação e transformação em site de louvor ao tempo que um outro é formado, novamente de acusação e desta a referir um “ataque” é uma situação ridícula. Atentem, por favor, nos blog ID de cada um dos sites e tirem as vossas conclusões. Mau grado a forma excessiva com que MST contempla a blogosfera – excessiva e [pretensamente] ignorante – , estes sites parecem ter sido criados com um único objectivo, o de denegrir a imagem do escritor. Isso não é correcto.
  • Apesar de, por princípio, não ter nada contra o anonimato na blogosfera, de o ver semelhante à utilização de um pseudónimo, confesso que por vezes sinto algum descrédito para com alguns autores anónimos. O caso presente é característico e não estou, de forma alguma, virado para acreditar, senão nos factor que confesso ainda não ter analisado a fundo, pelo menos nos objectivos desta denúncia. É que não existe ainda [pelo menos que eu conheça] nenhuma comunicação oficial dos autores do livro supostamente plagiado.
  • Todos estes factores e mais alguns que não interessam muito para o presente caso configuram a situação numa falácia: não são dadas provas cabais, não são escutadas fontes diversas, tudo se baseia numas “bocas” que foram lançadas.

3. A BLOGOSFERA AINDA NÃO É ENTENDIDA COMO MEIO PRIVILEGIADO DE COMUNICAÇÃO DE MASSAS.

  • Na realidade, são os bloggers os primeiros a não ter essa percepção. Não adianta ter um código, não adianta estarmos aqui a lutar pela liberdade de expressão, se utilizamos a blogosfera como pasquins da pior espécie. O tipo de situação, apesar de ter suscitado um interessante debate acerca do que é a liberdade de utilizar um nome ou um pseudónimo, em nada dignifica os que utilizam esta ferramenta.
  • Estamos a verificar que, mais uma vez, a blogosfera não soube discutir o assunto de forma objectiva. As opiniões são o que são, cada um tem uma e usa-a sem obrigações de maior. Afinal, a blogosfera trata-se, em grande parte dos casos de um grande gerador de spin.
  • Existem honrosas excepções à regra. É por isso que se torna cada vez mais importante ler em vez de postar por dá cá aquela palha. Ler uma, duas, três, as opiniões que se acharem necessárias, até que, por nossa vez, sejamos capazes de distinguir o trigo do joio.

Estamos perante uma das maiores ferramentas de Liberdade de todos os tempos. temos uma responsabilidade acrescida, por isso mesmo.

MENSAGEM AO “MST” QUE COMENTOU POR AQUI:

Caro senhor: a sua estupidez é uma coisa avassaladora. Para além de utilizar o nome de outrém para o enxovalhar, permite-se, no seu amadorismo, pensar que tomamos a coisa como certa.

Deixe-se disso… sabemos quem você é…

Novo comentário na sua entrada #167 “PLÁGIO EQUATORIAL”
Autor : MST (IP: 87.103.0.83 , 83.0.103.87.rev.vodafone.pt)
E-mail : mst@msn.com
URL    : http://freedomtopaste.blogspot.com
Whois : http://ws.arin.net/cgi-bin/whois.pl?queryinput=87.103.0.83

Comentário:
BARDAMERDA!
Pode ver todos os comentários a este artigo aqui:

http://weblogger.wordpress.com/2006/10/27/plagio-no-equatorial/#comments

E já agora, BARDAMERDA PARA SI TAMBÉM.

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«The Internet Society of China has recommended to the government that bloggers be required to use their real names when they register blogs, state media said on Monday, in the latest attempt to regulate free-wheeling Web content» (em c|net)
via Mas certamente Que Sim!

Ou Miguel Sousa Tavares de olhos em bico e a agitar livrinhos vermelhos comprados em alfarrabistas tuberculosos.

Assim já estava bem? Já não haveriam anónimos…

Mas o que era MESMO BOM era acabar com essa coisa da blogosfera! Não?…

e não fosse uma consulta às estatísticas do blog, nunca teríamos sabido, por aqui, da existência do “ACHAS QUE SABES”, da responsabilidade de Sofia Sousa, e que é mais um dos bons blogs dedicados à causa.

A ler com atenção o último artigo… e os outros também.

[ouviu, MST?]

PLÁGIO EQUATORIAL III

a parecer uma telenovela…

Fiquei a saber pelo DesBlogueador de Conversa que o “FREEDOM TO COPY” afinal já não é.

Agora é o EQUADOR: MIGUEL SOUSA TAVARES“.

ESTE BLOG NÃO TEM QUALQUER LIGAÇÃO AO AUTOR OU À EDITORA DESTA OBRA. 
O SEU INTUITO É AJUDAR A DIVULGAR UMA OBRA CONSIDERADA, UNANIMEMENTE, DE REFERÊNCIA.
O SEU CONTEÚDO PODE SER COPIADO, MANTENDO A REFERÊNCIA ÀS FONTES.
A RESPONSABILIDADE DO CONTEÚDO DESTE ESPAÇO É DA EXCLUSIVA RESPONSABILIDADE DOS AUTORES,
DEVIDAMENTE REFERIDOS COMO “FONTE”.

é o que por lá está escrito em rodapé, a dar razão à existência das dúvidas cogitadas pelo Joaquim Varela.

E esta, hein?

MAS HÁ MAIS. HÁ O FREEDOM TO KEEP COPYING FREEDOM TO COPY , desta vez da responsabilidade de Miguel Prado Rebelo Pinto Correia Tavares.

A seguir? Ou nem por isso? Eu sempre quero ver onde isto vai dar…

PLÁGIO EQUATORIAL II

Ainda acerca das atribulações de Miguel Sousa Tavares em volta do alegado plágio de que é acusado, surge via Macroscópio a defesa do escritor que não é outra coisa senão o seu desagrado face à blogosfera. Os “bold” vêm no conjunto, copy-paste do blog de origem e da responsabilidade de Rui Paula de Matos. Deixo-os ficar pois parecem-me bem colocados.

Vamos lê-lo, todos juntos, passo a passo:

Excepção feita ao correio electrónico e à consulta de «sites» informativos, a Internet interessa-me zero. Todo esse universo dos «chats» e dos blogues não apenas me é absolutamente estranho como ainda o acho, paradoxalmente, uma preocupante manifestação de um processo de dessocialização e de sedentarização das solidões para que o mundo de hoje parece caminhar. Saber que nesses ‘sítios’ imateriais é possível fazer praticamente tudo, desde arranjar parceiros amorosos até recrutar terroristas para a Al-Qaeda, não é, a meu ver, um progresso ou facilidade, mas uma espécie de impotência, de desistência de viver a vida como ela é.

Pois aqui começa a estranha concepção que MST faz deste media. Para além de a “internet lhe interessar zero”, coisa própria de quem se limita às opiniões formais e aceites como “oficiais”, o MST faz a confusão própria de quem, como ele próprio afirma, estranha completamente o assunto: Blogs são uma coisa e chats são outra. Embora por vezes se confundam no resultado, têm objectivos diferentes aquando a sua criação.

Não compreendo também que MST venha falar em processos de dessocialização e de sedentarização das solidões. A não ser que ache que escrever uma “carta aberta” no Expresso seja mais interactivo que publicá-la num blog.

Sabe, MST, na blogosfera é mesmo possível fazer de tudo [ou quase], desde arranjar parceiros amorosos a recrutar terroristas. É essa a maravilhosa coisa da blogosfera. É isso que o assusta. Mas habitue-se.

Tenho lido muitas opiniões contrárias, de gente que acredita que os blogues e toda essa conversa «in absencia» são uma forma moderna de democracia de massas, directa e instantânea, como nunca houve: uma espécie de «speaker’s corner» planetário. Mas discordo: não penso que a qualidade da democracia se meça pela quantidade de envolvidos e, menos ainda, pela irresponsabilidade. Não há liberdade de expressão onde existe impunidade do discurso. E se no «speaker’s corner» fala quem quer, também é verdade que quem fala tem o rosto a descoberto, pode ser convidado pelos circunstantes a identificar-se e pode, sobretudo, ser confrontado e contraditado por estes – enquanto na maioria dos blogues o anonimato é regra, santo e senha.

Tem lido. O ler opiniões é bonito. Mais bonito ainda é discutí-las e isso não é possível a não ser numa conversa cara a cara… ou via internet. Conversa in absencia é o que MST pratica. Faz sermões aos peixes e não concede o direito de resposta pública e aberta à consulta.

É na realidade um speaker’s corner, mau grado o anonimato. Também concordo consigo quando diz que não há liberdade de expressão sem impunidade do discurso. Já discordo quando diz que o anonimato é regra, santo e senha e que isso impede o confronto de ideias.

Desde a mais remota literatura e jornalismo que o pseudónimo é utilizado. Nunca foi criticado como tal. Não compreendo, pois, a sua animosidade contra o anonimato que, bem vistas as coisas, o não é. O que existe são pseudónimos de pessoas que, não estando presentes, têm um IP, uma espécie de bilhete de identidade. Para além disso repare: você podia ter confrontado os autores do blog. Tanto quanto vi, a caixa de comentários está aberta. Mas não. O MST resolveu andar a choramingar pelos cantos e, dono da razão, da mesma razão que o faz andar a pregar os benefícios do tabaco e da caça desportiva, mandar umas bocas para o terreiro… de um speaker’s corner com um palanque elevado demais para admitir resposta, ali, live on stage.

Mas não há nada melhor para confirmar ou desmentir uma teoria do que experimentar-lhe os efeitos. No meu caso pessoal, as experiências que conheço têm sido eloquentes: por duas vezes me foram atribuídos na Net e postos a circular textos que não tinha escrito e cujo conteúdo repudiava veementemente; o mais longe que consegui desfazer a falsificação foi o círculo de amigos que me falaram no assunto. De outra vez, deram-me a conhecer a existência de um blogue onde um autor anónimo se dedicara a fazer a minha biografia, acrescentada posteriormente por toda uma série de contribuições igualmente anónimas: eram 27 páginas de conteúdo (!), mas bastou-me ler as duas primeiras para desligar, enojado com a capacidade de invenção, difamação grave e cobardia que aquilo revelava. Esta semana, enfim, estava-me reservada mais uma experiência do género.

Talvez esteja na altura de experimentar esta caixa de pandora, a tal dos blogs. Olhe, digo-lhe que seria, desde logo, um êxito. Faça um blog, homem. Faça um blog!

Um qualquer tipo dera-se ao trabalho de pegar num romance meu, manipulá-lo devidamente (por exemplo, pegando num início de frase e acrescentando-lhe outro situado 12 páginas adiante), para afirmar, sem estremecer, que todo o meu livro era um plágio do outro, “uma fraude sem pudor”. Uma hora depois de este blogue ter nascido, exclusivamente dedicado a acusar-me de plágio, um jornal telefonava-me para casa a pedir um comentário à “acusação”. Primeiro, pensei que estavam a brincar, depois percebi que levavam a coisa a sério e tentei mostrar o absurdo daquilo: o meu livro era um romance histórico, em que os personagens principais eram todos ficcionados, assim como a história, o outro era um livro de história, um relato jornalístico do mandato do último vice-rei inglês da Índia, em que os personagens eram o Mountbatten, o Nehru, o Ghandi, o Jidah; o meu livro situava-se em 1905, em São Tomé, o outro em 1949, na Índia; o meu tratava da escravatura nas roças de cacau de São Tomé, a par de uma trama amorosa, o outro tratava da independência da Índia; enfim, como se perceberia, simplesmente, lendo-os, tanto a construção narrativa como a escrita eram obviamente diferentes, tratando-se de géneros literários totalmente diferentes.

E isso é muito mau, a verificar-se verdade. Mas neste momento, quem é o detentor da verdade? Quem está a discutir, quem deixa a discussão aberta? O problema é que os tais autores do outro livro estão on-line e com o blog aberto. O MST deixa cartas escritas, cola cartazes e que mais? Nada.

Mas o autor do blogue revelava-se um profissional da manipulação: ele pegava em excertos afastados entre si da versão inglesa do outro livro, colava-os como se fossem uma só frase, comparando-os então com outras frases minhas a que chamava “tradução” e que um jornal dizia serem “frases inteiras iguais”. Mas iguais eram apenas os factos nelas contidos: os dados biográficos de quatro marajás da Índia. Ora, como tentei explicar, qualquer pessoa percebe que um romance histórico ou um livro de história, quando chega aos factos reais, tem de recorrer a fontes, que são outros livros ou documentos preexistentes.

De outro modo, não os tendo vivido, ao autor só restaria inventá-los ou distorcê-los, para não ser considerado plagiador: eu deveria então ter trocado os nomes ou os dados biográficos dos marajás que convoquei, assim como os do senhor D. Carlos ou de outros personagens históricos que entram no meu romance. Em vez disso, limitei-me a fazer uma coisa que nem sequer é habitual neste género literário: identifiquei as fontes a que recorri, entre as quais o tal livro que o anónimo da Net me acusava de ter copiado – ou seja, deixei as pistas todas para ser ‘apanhado’.

Porém, o meu Torquemada concluiu ao contrário: se eu citava 29 livros como elementos “de consulta do autor” e se ele, recorrendo apenas a um deles, encontrara semelhanças com duas páginas das 518 do meu livro, era caso para “esfregar as mãos de contentamento, partindo à descoberta de mais algumas pérolas da exploração do trabalho alheio”.

Pelo contrário. Não acho que o autor do blog seja um profissional da manipulação. Até o acho bastante amador.

Nós sabemos como as coisas se fazem, sabemos que já ninguém inventa nada. Também sabemos que a única coisa a fazer neste caso é responder à letra, no seu caso, e ler ambos os livros, no nosso.

Depois, o que você faz no seu livro, a identificação das fontes, já reparou, é o mesmo que por aqui se faz? Eu identifiquei o Macroscópio. Mas nem por isso deixei de copiar este artigo [que é seu] e publicá-lo por aqui. E eu, que sou Carlos José Teixeira, natural de Matosinhos, colheita de 1965, cometi plágio ou não?

Mas isso é outra história.

Infelizmente, ninguém se deu a esse trabalho ou menos até. Debalde, tentei explicar ao enxame de jornalistas que imediatamente me caiu em cima que o simples facto de darem eco àquele blogue anónimo, sem verificarem previamente o fundamento da acusação gravíssima que me era feita, equivalia a transformar uma mentira privada, ditada pelo despeito e inveja, numa calúnia produzida à vista de milhares. Com esta agravante decisiva: o único meio de que disponho para defender eficazmente a minha honra e o meu trabalho, que é o tribunal, está-me vedado, pois não sei de quem me queixar e quem fazer condenar como caluniador. Não sendo esta a regra, como poderá alguém, por exemplo, defender-se convincentemente de um blogue anónimo que o acuse de pedofilia, tráfico de drogas ou qualquer outra coisa abominável?

Tentei explicar que, perante isto, não bastava reproduzirem a acusação e ouvirem a minha defesa. Era pelo menos necessário que lessem os dois livros e percebessem que tudo aquilo era absurdo e que a aposta deste manipulador anónimo era justamente a de que os jornalistas não se dessem a incómodos.

Foi tudo em vão, claro. Responderam-me que o outro livro não estava disponível em Portugal e que, “face à gravidade da acusação” (justamente…), não se podia ignorar o assunto, pois, como me explicou sabiamente um jornalista eufórico, “a bola de neve está a correr e é imparável”. E correu. E foi. Dos tablóides ao respeitável ‘Público’ – onde, confessando-me não ter conseguido obter o livro supostamente plagiado (e, se calhar, sem sequer ter lido o meu…), uma jornalista escreveu, preto no branco: “Há muitas ideias parecidas e frases praticamente iguais”. E, assim, com esta ligeireza, se suja a honra de uma pessoa e se enxovalham anos e anos a fio de trabalho, esforço e imaginação.

Leia acerca do direito existente [que é já muito] e faça a sua queixa em tribunal. Mas prepare-se.

Viu como esteve a desconsiderar prematuramente a importância da blogosfera? É que por cá há de tudo um pouco. à semelhença dos jornais e revistas por onde escreve: desde o mais respeitável jornal ao pasquim mais perverso. É tal e qual o mundo em que se move mas com a hipótese de resposta em tempo real. E você não respondeu em tempo real.

O que já sabia dos blogues confirmei: em grande parte, este é o paraíso do discurso impune, da cobardia mais desenvergonhada, da desforra dos medíocres e dessa tão velha e tão trágica doença portuguesa que é a inveja. Mas fiquei a saber, e não sabia, que os blogues, mesmo anónimos, são uma fonte de informação privilegiada e credível para o nosso jornalismo.

Mas, Miguel Sousa Tavares, você NÃO SABE NADA DE BLOGS. Àquilo que chama covardia, desforra de medíocres e coisas assim, eu chamo AMEAÇA A ÍDOLOS DE PÉS DE BARRO. E esteja preparado: OS BLOGS VÃO SER, CADA VEZ MAIS, UMA FONTE PRIVILEGIADA E CREDÍVEL PARA O JORBALISMO. Não para o seu. Este tem o direito de contraditório garantido por natureza e, no meio de milhões, só os verdadeiramente interessantes se fazem notar.

Os blogs não vivem num país de 800Kms de comprimento, o seu país é bem maior.

Experimente fazer um e veja se consegue o mesmo sucesso que tem tido por aí, no “mundo real”.

[a caixa de comentários está aberta, na esperança fútil de que você venha contestar]

O CONTRA-ILUMINISMO DE HOJE

artigo de Ralf Dahrendorf – sociólogo e antigo reitor da London School of Economics, via Kontratempos que publico na íntegra [desculpe, Tiago Barbosa Ribeiro] porque me parece ter que ser lido à primeira.

Ainda há bem pouco tempo, poderíamos ter concluído que, pelo menos na Europa, deixara de haver tabus. Um processo que começou com o Iluminismo tinha atingido o ponto a partir do qual “valia tudo”. Em especial no que toca às artes, não havia limites aparentes para mostrar aquilo que, há apenas uma geração, seria olhado como altamente ofensivo.

Há duas gerações, muitos países tinham censores que tentavam não só evitar que a gente jovem visse certos filmes, mas que chegavam a proibir certos livros. Desde os anos 60 que estas proibições tinham enfraquecido a um ponto tal que o sexo explícito, a violência, a blasfémia – mesmo que incomodando algumas pessoas – eram tolerados como parte de um mundo das Luzes.

Ou não era exactamente assim? Não há, realmente, qualquer limite? Fora da Europa, a atitude do “vale tudo” nunca foi completamente aceite. E mesmo na Europa sempre houve algum tipo de limites. O historiador David Irving ainda está preso na Áustria pelo crime de negação do Holocausto. Claro que este é um caso especial. A negação de uma verdade muito bem documentada pode conduzir à prática de novos crimes. Mas a resposta à velha questão “o que é a verdade” nem sempre é assim tão clara.

Por exemplo, o que é que realmente pretendemos, quando insistimos com a Turquia para que reconheça o genocídio arménio como uma condição para poder ser membro da União Europeia? Estamos assim tão seguros da teoria darwinista da evolução ao ponto de banirmos qualquer noção alternativa das escolas?

Os que se preocupam com a liberdade de expressão sempre se interrogaram sobre os seus limites. Um deles é o incitamento à violência. O homem que se ergue no meio da uma multidão e grita “fogo” quando não há incêndio nenhum é culpado por aquilo que acontecer. Mas se houve realmente um incêndio?

É este o contexto em que podemos encarar esta recente invasão de tabus islâmicos num mundo esclarecido e maioritariamente não islâmico. Desde a fatwa sobre Salman Rushdie por causa dos Versículos Satânicos até ao assassinato de uma freira na Somália em resposta à aula do Papa Bento XVI em Ratisbona e ao cancelamento da representação do Idomeneo de Mozart, com as suas cabeças decapitadas de fundadores de religiões, na Ópera de Berlim, assistimos ao uso da violência e da intimidação para defender determinados tabus religiosos.

Nem todas as questões aqui levantadas têm resposta fácil para os defensores civilizados das Luzes. A tolerância e o respeito em relação a pessoas que têm as suas próprias crenças são algo de positivo e talvez mesmo necessário para preservar um mundo esclarecido. Mas há o outro lado da questão. Respostas violentas a pontos de vistas indesejáveis não têm justificação em caso algum e não podem ser aceites. Os que argumentam que os bombistas suicidas exprimem uma raiva compreensível já venderam a sua própria liberdade. A autocensura é pior do que a censura, porque sacrifica voluntariamente a liberdade.

Isto quer dizer que temos de defender Salman Rushdie e os cartoonistas dinamarqueses e os amigos do Idomeneo, independentemente de gostarmos ou não deles. Se alguém não gostar deles tem à sua disposição todos os instrumentos do debate público e do discurso crítico próprios de uma comunidade inspirada pelas Luzes. Também é verdade que não somos obrigados a comprar este ou aquele livro ou a ouvir esta ou aquela ópera. Em que mundo triste viveríamos se tudo o que pode ofender um determinado grupo não pudesse ser dito. Uma sociedade multicultural que aceitasse cada um dos tabus dos seus diversos grupos não teria nada para dizer.

O tipo de reacções a que temos assistido recentemente perante pontos de vista que são ofensivos para alguns não anunciam nada de bom para o futuro da liberdade. É como se uma nova vaga de contra-iluminismo estivesse a varrer o Mundo com as opiniões mais restritivas a tornarem-se dominantes. Devemos reafirmar de forma veemente as nossas opiniões esclarecidas contra estas reacções. Defender o direito de todos a dizer o que pensam, mesmo que detestemos o que digam, é um dos primeiros princípios da liberdade.

Por isso, Idomeneo deve ser representado e Salman Rushdie deve ser publicado. O direito de um editor a publicar cartoons ofensivos para os crentes de Maomé (ou de Cristo, tanto faz) depende apenas da sua avaliação, quase do seu gosto. Eu posso não o fazer, mas defenderei sempre o direito de alguém decidir de outra maneira. É discutível se incidentes recentes como estes exigem um “diálogo entre religiões”. O debate público que permite clarificar cada caso num sentido ou noutro parece mais apropriado do que a conciliação. Os ganhos do discurso iluminista são demasiado preciosos para serem transformados em valores negociáveis. Defender estes ganhos é a tarefa que hoje enfrentamos.»

SUPERSIZE-ME TO 2.0

O GAZETA CULTURAL MUDOU O TEMPLATE. E FÊ-LO COM MUITO BOM GOSTO… EMBORA AS LETRAS ESTEJAM A MAIS.

PLÁGIO EQUATORIAL

MST tem-se revelado «indignado e magoado» com os factos descritos neste blog. Vai mais longe, manda «bardamerda» e ameaça com «paulada e tribunais» (vg 24Horas de 24 Outubro 2006 pág. 8).
O que MST ainda não fez foi explicar a cópia.

Como é seu timbre, ameaça, insulta, e refugia-se na condição de «vítima do anonimato da net». (Contam-se pelos dedos os blogs com autores devidamente identificados).
Os autores deste blog não têm medo de MST nem do que aqui está publicado. MST não é insultado nem difamado neste blog. É confrontado com factos. No dia em que MST explicar de forma explícita (não a nós, mas aos seus leitores) a cópia que fez, os autores deste blog apresentar-se-ão voluntária e ordeiramente à sua porta para receberem as prometidas «pauladas».

Quem fala assim e não é gago é “Lapierre & Collins” no blog “Freedom to Copy” e a coisa parece ter captado a atenção de alguns. Trata-se de um suposto plágio da obra deste [s] blogger aquando a feitura do bestseller “Equador”.

A notícia chega-nos via “Ocasionalidades” mas já andas pelas ruas da imprensa escrita. A ver o Público e, ao que parece, a próxima edição do Expresso…

Nós, que ficamos curiosos, vamos estar atentos.

MAIS UM.

OS BLOGGERS ESTÃO A SER ACUSADOS, À ESQUERDA E À DIREITA, NA IGREJA E NA MESQUITA, SEJA ONDE FOR, DE UMA E SÓ COISA: LIBERDADE DE EXPRESSÃO.

Acontece no “El rincón de la libertad” e chegou-nos via “Jornada“.