Arquivo de Dezembro, 2006

Nota Introdutória

A VoxBlogs Magazine pretende ser uma revista que reúna um conjunto de bloggers das mais diversas áreas de interesse a fim de promover o debate de ideias e encontrar o seu espaço na blogosfera e na imprensa online. Para conhecer melhor o projecto a arrancar aceda a Estatuto Editorial. Para mais informações envie um mail para: kontrastes.blogue@gmail.com.

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Nós sabemos quem foi Saddam Hussein. Sabemos que foi um personagem que irá ter o seu merecido lugar no panteão dos mais selvagens ditadores da História, a lado de Pol Pot, Hitler, Mao… e por aí fora.

Sabemos que a justiça aplicada a este tipo de gente não consegue, de forma alguma, suprir a necessidade que temos de ver as suas vítimas justiçadas. Porque os seus crimes foram demasiado graves para o entendimento humano, porque a maioria das suas vítimas foram selvaticamente torturadas e mortas, porque as suas vítimas estavam e estão em condições miseráveis que nem sequer as deixam ver com clarexa o que lhes terá acontecido.

O julgamento dos crimes de pessoas como Saddam Hussein é trágico. Revela, antes de mais, a fragilidade humana, a sua intrínseca limitação, o seu espartilho. Quando chegada a hora da verdade, o que é que, em verdade, fazemos? O que foi feito em relação a Saddam Hussein?

Saddam Hussein foi julgado e condenado à morte, foi executado. OK. Menos um. Mas as perguntas surgem, a resposta urge. Afinal, Saddam foi executado porquê, pelo quê? O que se consegiu fazer com tudo isto?

É que, reparem: sabemos que Saddam Hussein e os seus esbirros terão sido responsáveis pela morte de milhares de civis. E o que se provou em tribunal? Que foram responsáveis pela morte de uma centena e meia de pessoas. E de que forma foi isto provado? Simplesmente com recurso a uma alegoria de tribunal, a um espectáculo puramente mediático em que títeres representaram os mais diversos papéis sendo que, no final, o único títere que reflectiu alguma credibilidade quanto ao papel que desempenhou foi, tenebrosamente, Saddam Hussein.

Então, ficamos todos, aqui na primeira fila do espectáculo de uma execução pela forca, sossegados: justiça foi feita.

Mas não foi. A morte de um ditador não é justiça alguma. Especialmente quando é ditada de forma apalhaçada como o foi, especialmente quando o julgamento que a determina não é mais do que uma farsa. É claro que algo deveria ser feito, é claro que um monstro não pode passar impune mas, na realidade, o que foi feito para além do espectáculo?

A tragédia de tudo isto é que o que deveria ser justiça não passa, assim, de uma forma tenebrosa de espectáculo, uma qualquer comédia negra mal representada a que todos assistimos enquanto devoramos pipocas e, entre dentes, determinamos sabiamente “devíamos era queimar aquele filho da puta vivo, vê-lo a espernear feito tocha”, sem sequer nos lembrarmos que a justiça é uma coisa que deve ser levada em consideração. E por justiça entenda-se o sistema, os métodos que levam à acusação, prova de culpa, determinação de uma pena e execução desta. Tem que ser coisa transparente e honesta. O que aconteceu, na realidade, foi mais ou menos o que teria acontecido se fosse Saddam a julgar outros.

No fim, resta-me fazer ainda mais uma pergunta. O que vai agora acontecer ao Iraque? A Paz, finalmente? Como fica o Mundo? Em Paz, finalmente? Aprendemos alguma coisa com Saddam? Tivemos tempo para isso?

Não. Tudo continuará na mesma, Saddam pendurado por uma corda ao pescoço, balançará continuamente, corpo embalado pelos quentes ventos da guerra e da selvajaria. Os outros continuarão inocentes até que uma suposta justiça os enforque, uma vez que já não sejam necessários ou se tornem impecilhos. Tudo o que poderíamos aprender pelo estudo de algumas das mais tortuosas mentes dos nossos tempos foi borda fora num simulacro de justiça a confundir-se com necessidades mediáticas e com um sabor amargo de vingança e exemplo público.

Saddam já foi, quantos faltam agora?

Lamento dizer-te mas o pecado não mora ao lado. Lamento desiludir-te mas o pecado não mora em lado algum. Não sei se irás conseguir viver assim, no vácuo moral a que te remeto de ora em diante mas, na verdade, o pecado não existe. Que fazer?
OlhO de Matt Lombard

Se vais partir, fá-lo já. Não olhes para trás.
Não me recordo do dia em que deixei de ser criança. Provavelmente chovia ou estaria, de uma forma ou de outra, mau tempo. Não creio ser possível deixarmos de ser criança num dia de sol. Ou talvez tenha sido à noite, no escuro, que sucedeu aquele tempo em que qualquer coisa que se parece com alma deixa, por fim, um corpo que se transmuta num amontoado de glândulas vibrantes, numa fábrica de secreções, e em que o cérebro parece, de uma vez por todas, tolher-se frente ao desamparo que se instala.
OlhO de Siro Anton
Salvo uma qualquer imprecisão metafísica poderia, num momento, considerar-te uma deusa. Não fosse a carne que ocultas, não fosse o silêncio perfumado que consentes, serias com toda a certeza uma das companheiras olímpicas do meu desejo. Assim te desvelas, assim te revelas diante dos meus olhos simplesmente mortais. Resta-me a memória.
OlhO de Angelica

If I could be you, and you could be me for just one hour. If we could find a way to get inside each other’s mind. If you could see you trough my eyes instead of your ego, I believe you’d be surprised to see that you’ve been blind. Walk a mile in my shoes. Walk a mile in my shoes. And before you abuse, criticize and accuse, walk a mile in my shoes. Now the whole world you see around you is just a reflection, and the law of karma says you reap just what you sew. So unless you lived your life of total perfection, you better be carefful of every stone that you should throw. In yet we spend the day throwing stones at one another, cause I don’t think or wear my hat the same way you do. Well I maybe common people, but I am still your brother and when you strike out trying to hurt me, it’s hurting you. Walk a mile in my shoes. Walk a mile in my shoes. And before you abuse, criticize and accuse, walk a mile in my shoes. There are people in reservations and out in the ghetto’s, and brother, there, before the grace of god, go you and I. If I only had the wings of a little angel, don’t you know I’d fly to the top of the mountain and then I’d cry. Walk a mile in my shoes. Walk a mile in my shoes. And before you abuse, criticize and accuse, walk a mile in my shoes.

BOAS FESTAS

Inspirações: XUPACABRAS

Coisas novas: PHOTO GALERIA

Sim… é mais ou menos como andar no fio da navalha. O que move hoje em dia esta massa muscular é um permanente ranger de dentes. O cérebro é impecilho. Já ouviste aquele Adágio e Fuga de Mozart… é mais ou menos assim. A vertigem como forma de estar, a corrida para parte incerta, para parte alguma. Negro? Sim… claro.
OlhO de Mark Tucker

Entras e, uma vez lá dentro, tens que ter cuidado para não topeçares numa das milhentas caixas que por ali jazem ao acaso. Os ficheiros já arrumados, nas inúmeras gavetas dispostas nas inúmeras paredes, por ali ficam, silenciosos, sem ditos nem achados. Cada um deles no lugar preciso, na localização perfeita, por ordem cronológica primeiro, depois por área geográfica, seguidamente por ordem alfanumérica. Não fossem as caixas espalhadas e seria perfeito. Mas, um destes dias, tudo há-de estar arrumado. Tudo será ordem. E todos estaremos, por fim, catalogados.
OlhO de Bastien Pons