Arquivo de Janeiro, 2007

Durante mais de um ano, tivemos que apagar, diariamente, vários comentários insultuosos. A operação era cansativa e obrigava a uma supervisão sistemática que nenhum de nós podia assegurar: daí a permanência dos insultos e das calúnias por mais tempo do que o aceitável. Apesar de com a decisão agora tomada restringirmos a companhia de alguns dos que mais assiduamente aqui deixavam o seu comentário, muitas vezes crítico, não conseguimos encontrar outra solução para o problema. Mas não queremos deixar de contar com os contributos dos que nos lêem, ou de evitar controvérsias. Por isso, se tiver algum comentário que mereça ser divulgado e debatido transforme-o num e-mail dirigido ao autor do post em causa, utilizando o endereço referenciado no canto superior direito.

Ao que parece, Rui Pena Pires ainda não conhece a MODERAÇÃO de comentários. Alguém que lhe explique, por favor. A dar numa de JPP?
Ah!… e parabéns pelos 1001 posts… [isto há cada uma… francamente!…]

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PORTUGAL é um país em guerra. Pelo menos é esta a ideia com que se fica depois de ver o genérico que abriu e fechou a mensagem de ano novo de Cavaco Silva, transmitida pela RTP. Metade das 40 imagens/contextos que acompanham o Hino Nacional são alusivas à Defesa e Segurança e, em quatro desses planos, o Presidente aparece trajado com um camuflado militar, numa aparência de general esfíngico e heróico. O mar e os Descobrimentos, alguns monumentos belicosos e enaltecedores da alma lusitana e Deus – suspenso nos braços do Cristo Rei – são os restantes temas que Cavaco escolheu para enquadrar as suas palavras.FINDO o genérico, surge Cavaco – já sem as manchas pretas e verdes típicas dos tropas – enfiado num fato escuro. Atrás de si o cenário contrasta com o tom esperançoso e motivador do discurso. Os cortinados de veludo vermelho e o papel de parede amarelado dão um ar de velório à comunicação ao país. É quase possível tocar o pó da sala, cheirar o bafio dos móveis, ouvir os tons barrocos da decoração. A má iluminação contribui para o cenário sinistro e fantasmagórico. Talvez olhando de perto, parando a imagem no tempo, seja possível observar o espectro de António Oliveira a vaguear por ali, tal o aspecto salazarento do ambiente.

Monocórdico e sisudo, Cavaco, refém de uma decoração de antanho, passou a imagem de um político do passado, apesar de falar do futuro, da Educação, da Justiça e do desenvolvimento económico. Uma imagem vale mais do que mil palavras e aquela tresandava a mofo.

José Fialho Gouveia dixit, e dixit muito bem. Faltou ali um Cerejeira.

argumentandum ad ignorantiam

No Armadilha Para Ursos Inconformistas, Vira-Latas e Esperanças de candeias às avessas. A coisa gira em torno da abstenção no referendo, direitos e deveres, participação, irritações e restantes problemas pessoais. Arranjem uma tina de lama e uns fios dentais. A caixa de comentários não chega.

Ainda nesse blog, o Pedro Silva anda a esgrimir com a Fernanda Câncio acerca das coisas da paternidade. Se Fernanda Câncio tem algumas razões, Pedro Silva não deixa de as ter também [coisa bem distribuída, esta razão…] mas nada se perde na explicação de que 1.500 Euros são dinheiro…

esgotamento

José Pacheco Pereira ou perdeu de vez a paciência para a blogosfera ou está com uma crise de esgotamento. É que o Abrupto já não é o que era.

Assuntos banais, a constante, desinspirada série de fotografias de pessoas a trabalhar, a coisa da missão – desta vez abrilhantada por uma exibição de paraquedistas – , museologia, faits-divers, enfim… o suficiente para publicar carta de um tal Paulo Silva que diz:

Assisti em directo ao discurso do estado da União do Pres. Bush.
Li o respectivo texto disponibilizado na net. É surpreendente – para mim, pelo menos – o grau de cortesia e afabilidade como decorreu esse acto público no Congersso dos E.U.A.
Desde o caloroso cumprimento – que me pareceu sincero e genuíno – dirigido à speaker Nancy Pelosi, até às frequentes ovações – de republicanos e democratas, note-se – com que foram brindadas muitas das afirmações e propostas do Presidente.
Que contraste com o nosso Parlamento !
(Paulo Silva)

Boa opção, Pacheco Pereira!

Luís Carmelo vem apresentar a sua última visão acerca do espectro de actuação da blogosfera e do seu campo de visão. A discussão em torno da significação das mensagens difundidas por este meio e o surgimento de uma pergunta básica: qual o objecto da blogosfera?

Bem vindos…

enganos

A coisa foi divulgada por aí com o destaque habitual dos que se interessam pelas causas e pelo combate à censura e por outros que, não sabendo bem ao que vêm, alinham no spin. Diga-se, em abono da verdade, que eu também alinhei na farsa, em outros locais mais ou menos conhecidos e publiquei chamadas de atenção para o facto de uma jornalista, Rute Monteiro, ter sido raptada no Líbano, conofrme notícia publicada no Freelance de Olavo Aragão.
Este Olavo Aragão, auto-declarado jornalista, continua neste momento a colocar posts acerca do assunto, deixando pairar uma imagem de secretismo, de segredos que não pode revelar por enquanto, dada a observação de um qualquer código deontológico. Ora, código deontológico, só se for para jornalistas, coisa que aparentemente Olavo Aragão não é, a não ser que se tenha enganado no número da carteira profissional, conforme aponta o Filinto no Jornada.

Mais achas para a fogueira são lançadas no Adufe acerca da suposta invenção de um rapto de uma pessoa que não é mais que um personagem de livro a ser lançado:

A última coisa de que precisavamos por aqui era de teatrais golpes de marketing patrocinado pelos bem humorados decanos de 2003 (e por mais alguns incautos) brincando com falsas indignações por suposta omissão jornalística (em torno de um hipotético rapto de uma personagem de um romance que por sinal é jornalista).

É ainda pela mão de Rui Cerdeira Branco que vemos apontadas causas e culpas relacionadas com este post que, muito rapidamente, deu a volta a meia blogosfera:

Péssimo timming caro Luís Carmelo. Pior era impossível. Houvesse originalidade para se brincar com outra coisa ou um mínimo de escapatória para que o ludibriado se desenganasse(apenas o vi ser feito claramente pelo Eduardo Pitta e pelo Paulo Querido que deu uma boa pista falsa para quem a quisesse seguir – ver os comentários ao post).

Rui Cerdeira Branco, numa atitude nítida e justificadamente – a meu ver – irada, deixa ainda mais sugestões que não devem caír em saco roto. A credibilidade da blogosfera e o seu “código deontológico” implícito estão em jogo.

O seu romance precisará mesmo de explorar a já proverbial predisposição crítica de blogoesfera face aos media para vender bem? Ainda se ao menos a brincadeira não tivesse fito comercial teríamos atenuante. Teremos? Eu sugiro desde já que a receita reverta para um seguro de responsabilidade civil em favor dos bloggers portugueses; nunca se sabe quando algum de nós fará algum disparate.

Enfim, boa sorte para o seu romance, seguramente, é de estalo.
Shame on you, all.

A seguir com atenção as diversas discussões à volta de coisas estranhas como “hoaxes” e “spins”…

E a lágrima cai-me em espanto. Diz o Velho que assim morrem as rosas e que, ao abandono em que restamos, resta apenas o desespero dos que, condenados, ladram à eternidade. A rosa flutuante rio abaixo, trágica companhia de Ofélia, a final dimensão do impossível. E nós, num sereno autismo, aguardamos a vinda das chuvas.

E como é ser como tu? É ser metade quando se sente por inteiro? É ter ganas de chegar sempre na partida? Ou de partir sempre na chegada? É ser tormenta, vento veloz que sacode, acorda, fustiga? É ser profundo no toque, suave no embate? Como é ser como tu? É viver junto ao abismo e não mergulhar, não pela queda, mas por quem fazemos cair? É ser sombra que vagueia pelas paredes imaginárias que se estendem no vácuo? Ou és mais do que sombra? Esta não tem toque, não tem cheiro, não tem calor, não tem sabor. Quero-te. Mais do que sombra. Mais que do que imagem. Quero-te Ser. E agora?
[Palavras gentis de gente amiga]

Sou apenas um homem engomado. Um animal que respira. De vez em quando, tiro as máscaras e lavo a alma. Mas é raro. O que sou é o que se vê. Sou a superfície de mim mesmo. Sem tirar nem pôr. E isso depende do local. Da luz. Da circunstância. Sou, assim, um ser circunstancial.
OlhO de Misha Gordin