Arquivo de Fevereiro, 2007

» a caixa de comentários

Vim a saber que a caixa de comentários estava reservada apenas aos leitores que têm conta no WordPress. Essa situação, que se mantém há já algum tempo neste e noutros blogs, era totalmente alheia à minha vontade. Aparentemente tratar-se-á de um bug que o tema “Tarski” que faz com que, em vez de pedir o log in depois de exibir a caixa de comentários, o pede antes, impedindo assim o acesso a quem não tenha uma conta WP.

Pois o assunto está resolvido e a caixa de comentários está arranjada. A partir deste momento poderão aceder livremente a essa ferramenta sem outras limitações senão a obrigatoriedade de indicar um endereço de e-mail, o que dificulta a actividade spam.

Assim, resta-me pedir-vos que a utilizem com o objectivo de comentar os artigos, podendo utilizar o meu endereço de e-mail – o que está na barra lateral – para quaisquer outro tipo de comunicação.

Um abraço a todos,

CJT

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» em reconstrução

importação de arquivos, recolha de posts perdidos por aí, levantamento de [quase] toda uma história…

vai dar trabalho…

Tenho vindo, ao longo do tempo, a defender a ideia de que a blogosfera não poderá, não deverá, substituir a imprensa feita por jornalistas. A ideia de que os bloggers podem assumir a responsabilidade de uma informação isenta, de fontes acreditadas e sujeita a um código deontológico que sustente a necessária ética para a prática jornalística não é, de todo, partilhada por mim. Embora possa acreditar que este espaço pode e deve assumir contornos de discussão pública dos mais diversos temas da actualidade e que, por tal, se assuma como ferramenta privilegiada para a formação de opinião, tenho vindo a separar as águas no que concerne à sua utilização como canal informativo, como “imprensa alternativa.

O artigo de Paolo Stefanini, publicado abaixo, vem suscitar-me algumas dúvidas quanto ao que tenho escrito acerca deste assunto. Ao que se assiste é à mais rudimentar deturpação do sentido jornalístico e à violação de alguns direitos fundamentais, como o do emprego de profissionais devidamente credenciados para o efeito, com fontes próximas e possibilidade de verificação, controlo e correcção “in loco” dos artigos enviados. Assim, esta forma de actuação em nada difere do que assistimos na blogosfera.

Porque a blogosfera se alimenta essencialmente de factos extraídos dos canais de informação e, de seguida, os transcreve de uma forma mais ou menos fiel, esta situação em nada difere do que está descrito no artigo publicado no Courrier Internacional. Na realidade, existem blogs que são autênticas “máquinas de edição” e que revelam uma fiabilidade bastante aceitável em relação aos originais publicados pelos jornalistas. A grande diferença entre a blogosfera e a prática jornalística é precisamente a liberdade de adaptação dos conteúdos, de alteração dos textos e de opinião acerca dos factos que é, de certa forma, barrada à maior parte dos profissionais da informação. Pelo que me é dado a entender no artigo referido, considero que qualquer um de nós, detentor de algum conhecimento da manipulação de ferramentas de edição, poderá então assumir o cargo de editor de qualquer jornalista ou redacção de jornal.

Os critérios éticos e deontológicos tão amplamente discutidos em relação à fiabilidade e isenção dos artigos publicados são, neste contexto, algo nebulosos. Ao que se assiste é à produção de textos que são resolvidos num contexto semiótico algo confuso, ao advento de milhares de “Júlio Verne” que dão um sabor individual à notícia que varia segundo a sua visão particular e cultural do facto descrito ou, em alternativa, à mais completa despersonalização do conteúdo jornalístico, transformando-o numa metáfora de telex informativo.

Estando consciente do caminho de agonia que a imprensa mais tradicional, em especial das imprensas escrita e radiofónica, que começam agora a utilizar as plataformas de comunicação viabilizadas pela internet e sabendo que essa agonia só pode ser combatida pela publicação dos trabalhos no seu suporte tradicional em simultâneo com a publicação efectuada em “tempo real” nos “sites” e blogs institucionais, dificilmente será possível que estas possam continuar muito mais tempo a cobrar os seus serviços. Os jornais diários, por exemplo, terão, mais dia menos dia, que disponibilizar o seu trabalho de forma gratuita, vendo os seus rendimentos depender unicamente da receita publicitária.

Não é à toa que também os jornalistas optam, eles próprios, pela constituição de blogs de carácter pessoal que lhes permitam uma maior liberdade de acção no plano da opinião. Estes blogs servem para nada mais que lhe permitir a possibilidade de formular considerações acerca dos artigos que, muitas vezes eles próprios, publicam nos jornais, ao mesmo tempo que conseguem chegar a uma maior franja de público que, cada vez mais, utiliza esta ferramenta como canal informativo – para o bem e para o mal.

Neste contexto, penso que afinal de contas os bloggers estão a fazer mais ou menos que as “sweat shops” da informação mas com mais liberdade – mais uma reflexão a ter em conta – e a muito mais baixo preço. Afinal, tudo o que tenho escrito acerca do que considero utilização abusiva de fontes, algumas formas de plágio mais ou menso encapotadas, trata-se apenas de uma futurística forma de canalizar informação.

No fim, em vez de estarmos a copiar e, em muitos casos, descaracterizar o trabalho de muitos jornalistas, estamos apenas a ser explorados e a fazer o trabalho que emprega cada vez mais mão-de-obra.

Será que alguma vez vamos ser pagos? Sempre são 70% do preço corrente…

REDACÇÕES AMEAÇADAS DE DESLOCALIZAÇÃO

Para reduzir os custos, há jornais que produzem os seus conteúdos em países onde a mão-de-obra é barata. Diários americanos e britânicos já têm redactores na Índia ou Singapura.

por Paolo Stefanini para o “DIÁRIO” de Milão, via Courrier Internacional, nº98, 16 de Fevereiro de 2007

Estamos num bar de Chisinau, a música está alta demais e as dançarinas quase despidas. Um jovem italiano, que caiu nas boas graças das instituições da Repíblica Moldava, tem à frente dois copos de “divin”, o conhaque local. As suas ideias de empreendedor estão a meio caminho entre a paixão jornalística e uma certa veleidade editorial. O nosso interlocutor tenciona explorar a possibilidade de aplicar à imprensa italiana um fenómeno que começa a ganhar peso neste momento, no mundo do jornalismo americano e britânico: a deslocalização. Trata-se de subcontratar, confiando a produção de artigos ou de outras partes de diários e periódicos a uma mão-de-obra barata implantada em países em desenvolvimento. Depois dos frigoríficos e do calçado, a tecnologia de ponta e a gestão à distância dos processos comerciais das empresas, chegou a vez da informação marcar encontro com a economia global. Um fenómeno que já é realidade. A prestigiada agência noticiosa londrina “Reuters” transferiu a maior parte da sua análise financeira sobre Wall Street para Bangalore, na Índia. Abriu uma redacção em 2004, com 340 jornalistas a baixo preço. São agora 1.600, dos quais uma centena trabalha na Índia a tempo inteiro e escreve para jornais americanos, a partir de informações sobre factos acontecidos nos Estados Unidos. Nem os protestos sindicais da Newspaper Guild of New York, nem os piquetes de greve que esta organizou em Times Square serviram de muito. A “Reuters” transferiu também a edição da sua impressionante produção fotográfica para Singapura, onde passaram a ser trabalhadas as imagens que fazem a cobertura dos Estados Unidos e do Canadá.

A INTERNET COMO FONTE?

Em Itália, o risco de deslocalização do trabalho jornalístico é menos elevado. De facto, não há regiões no estrangeiro onde se fale um italiano de qualidade, designadamente nos países em desenvolvimento ou emergentes. As competências linguísticas – muito à frente das qualidades jornalísticas – representam ainda um obstáculo difícil de contornar. Mas isso não quer dizer que a situação não venha a mudar. É possível aprender línguas estrangeiras e os correctores ortográficos são cada vez mais sofisticados. A questão é delicada e não apenas ao que se refere ao emprego. O papel da imprensa é tão importante que as preocupações incidem também nos temas da liberdade e da qualidade de informação. Na verdade, alguns cenários envolvem inevitavelmente a insipidez e a despersonalização das notícias, tornando vã qualquer iniciativa de inquérito ou de controlar os poderes político e económico.

Entre os 20 jovens redactores formados pela Escola de Estudos Superiores de Jornalismo que acaba de abrir em Chisnau, nenhum escolheu a língua italiana. Quase todos falam inglês e seis deles seriam capazes deescrever artigos na língua de Shakespeare. Oito têm muito bons conhecimentos de francês, dois de espanhol e um de alemão. “Nesta fase, a questão das línguas é secundária”, explica o nosso anfitrião italiano, que insiste em manter o anonimato e mostra relutância em dar pormenores sobre o seu projecto. Pediu financiamentos mas ninguém sabe se os vai obter. “Conhecendo os editores”, prossegue, “estou certo de que sonham com explorar jornalistas a beixo preço, À semelhança dos industriais do calçado e do mobiliário em relação aos operários romenos ou moldavos. Abrem uma fábrica [ou uma redacção] e fecham-na para se irem instalar noutro lado, onde o trabalho custe menos.” O seu projecto, no qual parece acreditar com a certeza de um visionário, é criar um centro “com a direcção e eventual trabalho de acabamento em Itália”. Este estaria em condições para explorar o imenso potencial de fontes disponibilizadas pela internet. “Pouco importa que os jornalistas moldavos não dominem a língua italiana como se fosse a sua língua materna, porque o produto final – o artigo – deixou de ser uma etapa essencial no ciclo de produção de informação. A partir de agora, o destaque será dado à selecção e identificação de um determinado número de elementos incluídos num fluxo contínuo de dados. E a Moldávia é um país crucial, do ponto de vista linguístico, se quisermos controlar a avalancha de informação [‘sites’, blogues, etc.] oriunda tanto do gigante russo como dos países europeus”, garante.

ESCREVER SOBRE O QUE NUNCA SE VIU

Estas declarações talvez possam parecer extravagantes em Itália, mas nos Estados Unidos e noutros ambientes editoriais de língua inglesa, o trabalho à distância em regime de subcontratação já não pode ser subavaliado. Recentemente, num blogue do Poynter Intitute, uma das mais conhecidas escolas de jornalismo americanas, Joe Grimm inseriu um artigo que deu muito que falar e que chegou a ser repescado pelo “International Herald Tribune”. Grimm, que trabalha no serviço de recursos humanos do “Detroit Free Press”, partiu da sua experiência pessoal, ou seja, as centenas de “e-mails” que lhe enviam jovens indianos desejosos de colaborar com o seu jornal. Sem qualquer intenção de emigrarem para o Michigan, estes jovens propõe-se ser “suburbanos” digitais. Ainda que todos os editores que subcontratam trabalho no estrangeiro insistam no facto de que “o valor acrescentado não é a diminuição das despesas, mas a possibilidade de inovar, graças a condições mais favoráveis que permitam criar economias de escala”, as dúvidas persistem. E, na verdade, fazer um produto melhor não parece ser o motivo pelo qual se subcontrata trabalho a países em desenvolvimento. A economia de 60 a 70 por cento sobre o custo de um jornalista “também vem do facto de, na Índia, não haver seguros, segurança social ou férias pagas. Trabalha-se muitas vezes sete dias por semana em horário fabril, como no séc. XIX”, observa Joe Grimm. Muitos editores, porém, parecem ligar pouco a estas questões. O “Columbus Dispatch”, um jornal diário histórico do Ohio, fundado em 1871, anunciou o despedimento de 90 elementos da sua redacção técnica e a maqueta é agora feita em Pune, na Índia. O “Chicago Tribune” prepara-se para subcontratar, confiando a uma empresa situada nas Filipinas um sector onde, até agora, trabalhavam 40 colaboradores. E há muitos outros exemplos. Ainda que sejam reticentes em divulgar os nomes dos seus clientes americanos, canadianos, australianos ou britânicos, as empresas indianas como a Hi-Tech Export, de Ahmedabad, ou a Cicada Media, situada em Bangalore, já produzem diariamente um grande número de páginas de conteúdos para jornais, revistas e “sites” da Internet. O seu mercado não pára de crescer. Nos artigos sobre “faits divers”, os jornalistas conseguem mesmo descrever, com abundância de pormenores, acontecimentos que ocorreram em cidades americanas ou britânicas onde nunca estiveram. Descarregam mapas por satélite graças ao Google Earth e descrevem assim sítios longínquos, com grande domínio da topografia. A deslocalização parece minar exactamente o psto de trabalho que, nos últimos 15 anos, era considerado o mais seguro: o trabalho do editor, aquele que “monta” a página, corrigindo os artigos dos outros jornalistas e criando os títulos, as legendas, os resumos e os quadros. O velho jornalismo foi considerado – talvez com razão – como inutilmente dispendioso, recheado de mitologia profissional e de uma retórica obsoleta. As reportagens e as investigações foram, assim, reduzidas à expressão mais simples. Dai que nesceu a ideologia do profissional pregado diante do seu computador, que alimenta o seu trabalho com os telexes das agências noticiosas. descobre-se que, agora, sem um mínimo de valor acrescentado, este trabalho se torna numa situação de risco. E isto não acontece por a supremacia do “desk” não ser real, mas porque, do outro lado do planeta, há quem consiga fazer as coisas com maior eficácia e, sobretudo, a preços mais baratos.

TARIFAS

Quando concebeu um projecto de jornal italiano em inglês, o “Diário” pediu colaboração à empresa indiana Hi-Tech Export [http://hitechexport.com], que já trabalha para vários jornais europeus, “sobretudo ingleses, franceses e alemães”. Em poucos minutos, esta avaliou o projecto e fez uma proposta, oferecendo 15 dias de ensaio gratuito. Para redigir os artigos a partir de comunicados de agências, a firma pede 35 Euros por 500 palavras. Os redactores podem trabalhar a qualquer hora para entregarem os textos a tempo. São “diplomados em domínios científicos, têm 21 a 29 anos e 12 a 24 meses de experiência jornalística. Falam e escrevem em inglês, hindimayalam e o idioma local”, indicam os responsáveis da Hi-Tech Export.

» voxBlogs magazine

Caríssimos:

Está disponível para download o segundo número da VoxBlogs Magazine:

  • EDITORIAL: A Vox e a Webesfera por João Ferreira Dias
  • BLOGOSCÓPIO: Palavras na Blogosfera por João Ferreira Dias
  • Dr. BLOGUE: Blasfémias por João Ferreira Dias
  • NA SENDA DA HISTÓRIA: Povo Irmão? Nuestros Hermanos? por Nuno Freitas Lobo
  • LEIS DE MURPHY: O Rescaldo do Referendo por Carlos Vilaza
  • PESO D’ALMA: As Bandeiras do Nosso País / As Cartas de Iwo Jima por Franscisco Reis
  • PARA ACABAR DE VEZ COM A CULTURA: O Teatro Amador por Gustavo Jesus
  • CONOTAÇÕES INDEPENDENTES: Consumismo vs. Romantismo por João Ferreira Dias
  • CONTOS DO VIGÁRIO: Maré Cheia por Luís Fernandes
  • CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO: Indisciplina e Violência Escolar por teresa Lança
  • BEAM ME UP; SCOTTY!: Uma Sociedade Política por Carlos José Teixeira
  • DESPORTO RADICAL: E Mais Além por Jorge Charquinho
  • REFLEXÕES DEPENDENTES: O Protesto dos Jovens por Inácio Lemos
  • OUTROS RABISCOS

» o país dos alertas

#00027

Em Portugal descobriu-se uma fórmula interessante de resolver os problemas relacionados com potenciais riscos de saúde pública, catástrofes naturais, meteorologia, etc. Falo dos ALERTAS.

Temos sido recentemente invadidos por um sem número de alertas, divididos por categoria e regiao: Mau tempo, o distrito de Coimbra encontra-se em alerta amarelo; Gripe, o distrito de Castelo Branco encontra-se em alerta laranja; Incêndios, o distrito da Guarda encontra-se em alerta vermelho; Cheias, o distrito de Soutelinho da Raia encontra-se em alerta azul…

Isto é mais ou menos o que se faz quando temos uma ponte a caír: ou se proíbe a circulação, ou se coloca uma placa de velocidade máxima permitida. Arranjar a ponte é que não.

É que no país dos alertas, a última foi uma composição ferroviária pela água dentro devido a um aluimento de terras, os bombeiros não conseguiram lá chegar, tiveram que esperar por um helicóptero que não tinha gasolina, tudo isto com o C.I.O.E. ali à beira.

Dá que pensar, não?

#00026 

Pois é, caro Tomás… mas esses são estrangeiros. E são dos piores que há. Como Salazar.

» gates e jobs ao estalo!

#00025

chega via desblogueador de conversa e é IMPERDÍVEL.

Mas do que eu gostei mesmo de conhecer neste post foi isto:

#00024

Rui Valente vem a terreiro em defesa de Pinto da Costa por este ter sido nomeado para os “Piores Portugueses” no programa da SIC. Segundo o autor, Pinto da Costa será um ínsigne portuense catalisador da visibilidade do Porto a nível nacional e dificilmente poderá ser suplantado por qualquer outro ilustre desta cidade nos últimos 20/30 anos. Ainda porque o dirigente desportivo foi nomeado para tal programa, Rui Valente interroga-se porque é que não foi nomeado Pinto Balsemão para esse “prémio”, dado ser este quem cometeu o “crime” de ser patrão da SIC, antro de IURD’s, Donos da Bola, Noites da Má Língua e pornografia…

Em abono da verdade, devo referir que Pinto Balsemão foi uma das figuras que estiveram pré-seleccionadas e que só não obteve nomeação porque não teve votos suficientes. Depois, não vejo qual seja o “crime” de ser o patrão de uma televisão como a SIC. Posso ou não concordar com a programação desta estação e sempre tenho um botão para mudar de canal. Por fim, não considero realmente que a SIC seja assim uma tão má televisão, tendo em conta a oferta proporcionada pelos restantes canais, nacionais e estrangeiros.

Creio que este artigo de Rui Valente reflecte bem o ambiente de caciquismo feudal que se vive em algumas regiões do país. O Norte de Portugal não é excepção. O Porto também a não é. Quem é, realmente, Pinto da Costa, que benefícios assim tão evidentes tem ele trazido para o Porto, é uma questão que gostaria de deixar. E falando de Pinto da Costa, falo de não sei quantos dirigentes desportivos, presidentes de autarquias, industriais de hotelaria, chefes de departamentos municipais, enfim, todo um universo que se autoproclama defensor das causas do Norte, defensores de uma regionalização que apenas iria servir os seus propósitos de poder.

É certo que, como diz o autor do artigo, no caso Apito Dourado Pinto da Costa é inocente até prova em contrário. Também é certo que o Ministério Público tem como principal função, no Estado de Direito que é o nosso, o apuramento da verdade. Só não é certo que esta venha algum dia a ver a luz. Mas isto que digo agora é pura demagogia pois a procissão está ainda no adro e há-que aguentar até que o processo e o seu julgamento dêem frutos.

O que Pinto da Costa fez até agora pelo Porto foi, realmente, dar-lhe visibilidade – da mesma forma que o fizeram Valentim Loureiro, Mesquita Machado, entre tantos outros, até acabar em Fátima Felgueiras. Todos eles deram, de uma forma ou de outra, visibilidade aos seus feudos. Resta saber, porém, se o fizeram da melhor forma.

Eu acho que não. E a irritação por esta nomeação é prova disso. É prova equivalente à irritação que outros sentiram pela nomeação, no mesmo programa, de Salazar. E isto, meus amigos, nada tem que ver com regionalização.  O que eu penso é que talvez as nomeações para o “Pior Português” talvez tenham sido mais criteriosas que as outras… e que, tanto os piores como os melhores são ou foram, todos eles, porugueses, para o bem e para o mal. Acho eu, que sou do Porto.

» a começar a jornada

#00023

Um dos blogs que visito pela manhã é o Jornada. Blog pessoal de jornalista, é um daqueles espaços onde, em textos curtos, podemos ler as notícias pequenas que ninguém lê, a par de reflexões rápidas e frequentemente incisivas acerca dos principais assuntos da actualidade. Quando não reflecte, propõe a reflexão, o que gosto ainda mais.

A língua e a pátria é um bom exemplo disso. Segundo o Filinto, embora não tenha opinião formada acerca do assunto, considera que a língua, para além do nascimento, seja uma boa fronteira para a definição de nacionalidade.

Quanto à língua, existe uma citação romana pré-cristã que nos diz, mais coisa menos coisa, que um homem é tanto mais superior quanto o número de línguas que fala. Os antigos romanos são, neste campo, um exemplo a seguir. Na realidade, num contexto “globalizador” como era o da Pax Romana, não só foram capazes de articular o poder e culturas locais com o governo central, como souberam, em grande parte, aculturar-se nas regiões conquistadas. Não era por acaso que, depois de uma vida de guerra, os combatentes romanos tinham, como prémio, um pedaço de terreno da terra onde estivessem. Espalhar Roma geneticamente era também um objectivo e, muito cedo, a miscigenação começou. A das línguas também.

A relação de poder que existiu nesses tempos fez com que, acima de quase todas as outras línguas, sobrevivesse a latina. A escrita, o correio, a circulação de informação assim o ditaram. Ou seja, a par dos romanos que agiam localmente, os povos conquistados eram, por definição, romanos. Talvez tenha sido a primeira vez que se tenha dito “Think global, act local”.

Hoje as coisas não diferem muito desses tempos. A globalização continua, a Pax Americana existe, novos impérios orientais e ocidentais, novos ditadores e novos pensadores dão um formato um pouco à imagem dessa época. Talvez o Mundo não mude assim tanto, afinal.

No entanto, existem coisas que são diferentes desse tempo. Se os romanos respeitavam a língua e os deuses locais, ao que assistimos agora é, frequentemente, o contrário. Atente-se, por exemplo, no que se passa em Espanha com a línguas consideradas “dialectos” como o Galego, o Basco ou o Catalão. Na realidade, é aqui que a ideia que o Filinto tem assume os seus mais nítidos contornos, é em situações como esta que a língua é, realmente, uma fronteira, uma definição de nacionalidade.

Por outro lado, os surtos migratórios cada vez maiores provocados ainda e uma vez mais pela globalização, exigem uma nova definição de nacionalidade. Nacionalidade é relativa a onde nascemos ou onde vivemos? Nada impede que tenhamos duas, ou três… à futebolista. Mas creio que, neste caso, os ingleses têm razão.

Uma das principais causas de exclusão social é o ghetto. Eles chegam, vê-se a “etiqueta de origem” e é-lhes destinado um local “junto dos seus”. Estes locais são bairros sociais ou de lata [dos que já naõ existem] e são sítios onde os diferentes grupos se isolam. Falam todos a mesma língua dentro do grupo e, frequentemente, não falam a língua do país onde estão. Em Portugal isso verifica-se cada vez mais e o exemplo mais gritante que conheço é o da comunidade chinesa.

Os recentes acontecimentos de Paris ensinam-nos como o ghetto é perigoso. E num mundo com cada vez menos fronteiras físicas, sem fronteiras financeiras, um mundo onde o dinheiro corre de mão em mão e milhares correm atrás do dinheiro, a língua é realmente cada vez mais a pátria de quem a fala. A distinção entre iguais é quase uma necessidade absoluta.

Evitar o perigo neste contexto é ensinar aos imigrantes as ferramentas básicas de comunicação para que possam, rapidamente, integrar-se no mundo que os rodeia e que é, afinal de contas, a sua nova casa. Chegarem cá e aprenderem a língua, noções básicas da cultura do país e os principais rudimentos legais e da Constituição da Republica é o primeiro passo para se reconhecerem como cidadãos de pleno direito e se recusarem a uma vida no ghetto.