Archive for the ‘bLógica’ Category

Se forem consultar as visitas a este blog [ http://concerteza.blogspot.com/ ], hão-de reparar que por esta data, no seu sexto dia de existência, consegui prender a atenção a 2 – dois! – 2 leitores.
Esta espectacular dimensão de insignificância tende a manter-se na medida em que os textos por aqui publicados tenham o valor que vão tendo que, de relativo que é, não considero escapar à média de qualidade que se pode obter na blogosfera.
O intróito, longe de querer estar a dar ares de “desgraçadinho incompreendido”, quer antes servir de ponto de partida para as comparações que se seguem.
Este blog segue exactamente a mesma “linha editorial” que outros blogs que tenho mantido. Casos há em que o “sucesso” foi repentino, em outros a coisa andou bastante mais lenta, em outros ainda tudo ficou em águas de bacalhau durante longos dias de “postagem” solitária [casos em que postagem vai dar invariavelmente em compostagem e devido armazenamento em local apropriado].
Qual a diferença entre eles, dado que o objectivo, a motivação, a linha, a qualidade do texto é exactamente igual entre eles? Vamos ver.

Anúncios

Afinal, PORQUÊ UM BLOG?
Necessidade de comunicar, necesidade de notoriedade? Que sentido tomam as coisas quando escritas num suporte imenso como estes?
O que se passa na blogosfera? E a Web 2.0?
Democratização ou hierarquização? Será que o objectivo de um novo blogger é o mesmo de quem se iniciou há alguns anos? Será que vai ser mantida a diversidade, o espectro de acção “daqui ao infinito?

Tenho vindo, ao longo do tempo, a defender a ideia de que a blogosfera não poderá, não deverá, substituir a imprensa feita por jornalistas. A ideia de que os bloggers podem assumir a responsabilidade de uma informação isenta, de fontes acreditadas e sujeita a um código deontológico que sustente a necessária ética para a prática jornalística não é, de todo, partilhada por mim. Embora possa acreditar que este espaço pode e deve assumir contornos de discussão pública dos mais diversos temas da actualidade e que, por tal, se assuma como ferramenta privilegiada para a formação de opinião, tenho vindo a separar as águas no que concerne à sua utilização como canal informativo, como “imprensa alternativa.

O artigo de Paolo Stefanini, publicado abaixo, vem suscitar-me algumas dúvidas quanto ao que tenho escrito acerca deste assunto. Ao que se assiste é à mais rudimentar deturpação do sentido jornalístico e à violação de alguns direitos fundamentais, como o do emprego de profissionais devidamente credenciados para o efeito, com fontes próximas e possibilidade de verificação, controlo e correcção “in loco” dos artigos enviados. Assim, esta forma de actuação em nada difere do que assistimos na blogosfera.

Porque a blogosfera se alimenta essencialmente de factos extraídos dos canais de informação e, de seguida, os transcreve de uma forma mais ou menos fiel, esta situação em nada difere do que está descrito no artigo publicado no Courrier Internacional. Na realidade, existem blogs que são autênticas “máquinas de edição” e que revelam uma fiabilidade bastante aceitável em relação aos originais publicados pelos jornalistas. A grande diferença entre a blogosfera e a prática jornalística é precisamente a liberdade de adaptação dos conteúdos, de alteração dos textos e de opinião acerca dos factos que é, de certa forma, barrada à maior parte dos profissionais da informação. Pelo que me é dado a entender no artigo referido, considero que qualquer um de nós, detentor de algum conhecimento da manipulação de ferramentas de edição, poderá então assumir o cargo de editor de qualquer jornalista ou redacção de jornal.

Os critérios éticos e deontológicos tão amplamente discutidos em relação à fiabilidade e isenção dos artigos publicados são, neste contexto, algo nebulosos. Ao que se assiste é à produção de textos que são resolvidos num contexto semiótico algo confuso, ao advento de milhares de “Júlio Verne” que dão um sabor individual à notícia que varia segundo a sua visão particular e cultural do facto descrito ou, em alternativa, à mais completa despersonalização do conteúdo jornalístico, transformando-o numa metáfora de telex informativo.

Estando consciente do caminho de agonia que a imprensa mais tradicional, em especial das imprensas escrita e radiofónica, que começam agora a utilizar as plataformas de comunicação viabilizadas pela internet e sabendo que essa agonia só pode ser combatida pela publicação dos trabalhos no seu suporte tradicional em simultâneo com a publicação efectuada em “tempo real” nos “sites” e blogs institucionais, dificilmente será possível que estas possam continuar muito mais tempo a cobrar os seus serviços. Os jornais diários, por exemplo, terão, mais dia menos dia, que disponibilizar o seu trabalho de forma gratuita, vendo os seus rendimentos depender unicamente da receita publicitária.

Não é à toa que também os jornalistas optam, eles próprios, pela constituição de blogs de carácter pessoal que lhes permitam uma maior liberdade de acção no plano da opinião. Estes blogs servem para nada mais que lhe permitir a possibilidade de formular considerações acerca dos artigos que, muitas vezes eles próprios, publicam nos jornais, ao mesmo tempo que conseguem chegar a uma maior franja de público que, cada vez mais, utiliza esta ferramenta como canal informativo – para o bem e para o mal.

Neste contexto, penso que afinal de contas os bloggers estão a fazer mais ou menos que as “sweat shops” da informação mas com mais liberdade – mais uma reflexão a ter em conta – e a muito mais baixo preço. Afinal, tudo o que tenho escrito acerca do que considero utilização abusiva de fontes, algumas formas de plágio mais ou menso encapotadas, trata-se apenas de uma futurística forma de canalizar informação.

No fim, em vez de estarmos a copiar e, em muitos casos, descaracterizar o trabalho de muitos jornalistas, estamos apenas a ser explorados e a fazer o trabalho que emprega cada vez mais mão-de-obra.

Será que alguma vez vamos ser pagos? Sempre são 70% do preço corrente…

» voxBlogs magazine

Caríssimos:

Está disponível para download o segundo número da VoxBlogs Magazine:

  • EDITORIAL: A Vox e a Webesfera por João Ferreira Dias
  • BLOGOSCÓPIO: Palavras na Blogosfera por João Ferreira Dias
  • Dr. BLOGUE: Blasfémias por João Ferreira Dias
  • NA SENDA DA HISTÓRIA: Povo Irmão? Nuestros Hermanos? por Nuno Freitas Lobo
  • LEIS DE MURPHY: O Rescaldo do Referendo por Carlos Vilaza
  • PESO D’ALMA: As Bandeiras do Nosso País / As Cartas de Iwo Jima por Franscisco Reis
  • PARA ACABAR DE VEZ COM A CULTURA: O Teatro Amador por Gustavo Jesus
  • CONOTAÇÕES INDEPENDENTES: Consumismo vs. Romantismo por João Ferreira Dias
  • CONTOS DO VIGÁRIO: Maré Cheia por Luís Fernandes
  • CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO: Indisciplina e Violência Escolar por teresa Lança
  • BEAM ME UP; SCOTTY!: Uma Sociedade Política por Carlos José Teixeira
  • DESPORTO RADICAL: E Mais Além por Jorge Charquinho
  • REFLEXÕES DEPENDENTES: O Protesto dos Jovens por Inácio Lemos
  • OUTROS RABISCOS

» gates e jobs ao estalo!

#00025

chega via desblogueador de conversa e é IMPERDÍVEL.

Mas do que eu gostei mesmo de conhecer neste post foi isto:

» o que se passa?

#00022 

É impressão minha ou a blogosfera portuguesa está em “recolhimento”?…

Bom… enquanto não acontece algo, fiquem-se com o novo International Journal of Communication.

» voxBlogs magazine

#00016 

Assim vão as coisas lá para os lados da VoxBlogs Magazine com a minha “posta” acerca do RESCALDO do referendo… participem!

Já agora, relembro que os links RSS estão ali ao lado esquerdo. Mas o melhor é mesmo visitar o blog e descarregar a versão PDF da revista.

Para os que queiram receber o e-mail das actualizações diariamente ou a versão PDF semanalmente, nada como escreverem para carlos.dias.teixeira[@]gmail.com.

» rp blogger

#00015

relações públicas, os media e os bloggers

Uma das funções do RP é ser intermediário entre a organização e os meios de comunicação social. Em suma é lidar com os jornalistas. Mas como é que o RP deve lidar com os bloggers ?

Esta questão está relacionada com o Jornalismo Cívico. Bloggers que publicam artigos com a qualidade e o rigor dos jornalistas profissionais.

O acesso à carreira de jornalista é um percurso relativamente árduo que está sempre em debate. E dificilmente vamos ver um blogger a receber a carteira de jornalista. Isso não os impede de ter um potencial de comunicação elevado.

Do meu ponto de vista, o Relações públicas tem de saber avaliar o blogger e os respectivos blogs que ele publica. Conforme a informação que reune, decide se lhe dá acesso ao mesmo material que distribui pelos jornalistas.

Existem bons e maus bloggers da mesma forma que existem bons e maus jornalistas. Com a diferença de que um jornalista profissional tem mais a perder quando não aplica os códigos de ética e deontologia que a classe defende. Um blogger é um risco maior, não está ligado a uma redacção e é relativamente desconhecido.

Em última análise, é muito mais fácil lidar com a falta de rigor de um jornalista. Um blogger só poderá ser responsabilizado colocando o caso em tribunal.

É interessante este ponto de vista do Bruno Amaral do Relações Públicas. Há algum tempo coloquei a pergunta “Como vê a utilização da blogosfera no contexto de Comunicação Empresarial, considerando a recente vaga de ‘pro-Bloggers’?”, no decurso das Jornadas de Comunicação Empresarial do ISCAP. Não houve resposta, creio que nem sequer souberam muito bem do que estava a falar…

Felizmente o Bruno reponde parcialmente à questão. Eu, por meu turno, hei-de desenvolvê-la em futuros postais da série “bLógica”.

#00014 

Quem já tenha lido algumas das coisas que tenho escrito acerca dos circuitos da blogosfera sabe que utilizo regularmente o termo “endolincagem” para o processo que consiste em organizar redes entre blogs.

São estas redes que, em última análise, sugerem uma determinada hierarquia na blogosfera. Ferramentas como o popular Technorati medem o número de links que cada blog tem e, consoante esse número, atribuem ao blog uma posição num “ranking”.

Sabemos como esses “rankings” são suspeitos. A quantidade de links ao blog nem sempre corresponde à existência de qualidade. Funciona mais ou menos como um Top of the Pops, mas funciona. É que a principal função de um blog é a sua visibilidade. O número de links é o resultado disso mesmo.

No entanto existem situações que subvertem este princípio. Não são raros os blogs que, pura e simplesmente, fazem um copy-paste dos links patentes em blogs “conceituados”, um pouco como aquela forma de novo-riquismo que consiste em ter uma prateleira cheia de livros que nunca foram, que nunca hão-de ser lidos. Casos há em que a blogosfera se apressa a linkar qualquer coisa que pareca minimamente ser um blog de alguém “respeitável” – veja-se o que aconteceu há algum tempo com um blog que aparentava ser de Miguel Esteves Cardoso.

Mas a “endolincagem” não se limita a isto. Existe também o método dos comentários e dos trackbacks. Gente há que faz um autêntico “spam” pela blogosfera, comentando por tudo e por nada no maior número de blogs possível. Claro que essa política de “marketing” tem alguns resultados, quanto mais não seja o de proporcionar mais algumas visitas ao seu blog.

Mas, enfim, tudo isto é sabido por todos nós. O que vem hoje à baila como novidade é a utilização do GoogleAds como meio de “endolincagem”. A este propósito, remeto-vos para o postal publicado no zone41, recomendando que sigam os links que o Ricardo fornece:

Instant Messaging through Google Ads

Será possível?

Parece que sim, pelo menos a ver pela gente que anda a utilizar este método.

A ideia é simples, fazer publicidade num anúncio do Google Adwords ao próprio blog agradecendo a outro pelo facto de este bloggar e ser uma inspiração para ele.

Engraçado, não é?

#00009

Que admirável mundo novo é este? O que se move por aqui? Que fazem estes fulanos que, por dá cá aquela palha, debitam mais uns quantos caracteres que brilham no écran do nosso futuro? Do futuro, realmente? Que vontade hipergráfica é esta, que ânsia de liberdade?

Estranho, não é? Não consigo deixar de me perguntar o que teria sido feito de Oscar Wilde neste meio. Não consigo deixar de pensar no que teriam Aldous Huxley e George Orwell a dizer do assunto.

Lewis Carrol teria concerteza algo a dizer. Quanto mais não fosse “Cortem-lhe a cabeça!”. Mas a Raínha de Copas teria trabalho. Esta é já uma hidra hyper-tech, muito mais enigmática que qualquer Gato de Cheshire.

Sabemos, ao menos, para onde vamos?