Archive for the ‘ideias’ Category

» o país dos alertas

#00027

Em Portugal descobriu-se uma fórmula interessante de resolver os problemas relacionados com potenciais riscos de saúde pública, catástrofes naturais, meteorologia, etc. Falo dos ALERTAS.

Temos sido recentemente invadidos por um sem número de alertas, divididos por categoria e regiao: Mau tempo, o distrito de Coimbra encontra-se em alerta amarelo; Gripe, o distrito de Castelo Branco encontra-se em alerta laranja; Incêndios, o distrito da Guarda encontra-se em alerta vermelho; Cheias, o distrito de Soutelinho da Raia encontra-se em alerta azul…

Isto é mais ou menos o que se faz quando temos uma ponte a caír: ou se proíbe a circulação, ou se coloca uma placa de velocidade máxima permitida. Arranjar a ponte é que não.

É que no país dos alertas, a última foi uma composição ferroviária pela água dentro devido a um aluimento de terras, os bombeiros não conseguiram lá chegar, tiveram que esperar por um helicóptero que não tinha gasolina, tudo isto com o C.I.O.E. ali à beira.

Dá que pensar, não?

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#00026 

Pois é, caro Tomás… mas esses são estrangeiros. E são dos piores que há. Como Salazar.

#00024

Rui Valente vem a terreiro em defesa de Pinto da Costa por este ter sido nomeado para os “Piores Portugueses” no programa da SIC. Segundo o autor, Pinto da Costa será um ínsigne portuense catalisador da visibilidade do Porto a nível nacional e dificilmente poderá ser suplantado por qualquer outro ilustre desta cidade nos últimos 20/30 anos. Ainda porque o dirigente desportivo foi nomeado para tal programa, Rui Valente interroga-se porque é que não foi nomeado Pinto Balsemão para esse “prémio”, dado ser este quem cometeu o “crime” de ser patrão da SIC, antro de IURD’s, Donos da Bola, Noites da Má Língua e pornografia…

Em abono da verdade, devo referir que Pinto Balsemão foi uma das figuras que estiveram pré-seleccionadas e que só não obteve nomeação porque não teve votos suficientes. Depois, não vejo qual seja o “crime” de ser o patrão de uma televisão como a SIC. Posso ou não concordar com a programação desta estação e sempre tenho um botão para mudar de canal. Por fim, não considero realmente que a SIC seja assim uma tão má televisão, tendo em conta a oferta proporcionada pelos restantes canais, nacionais e estrangeiros.

Creio que este artigo de Rui Valente reflecte bem o ambiente de caciquismo feudal que se vive em algumas regiões do país. O Norte de Portugal não é excepção. O Porto também a não é. Quem é, realmente, Pinto da Costa, que benefícios assim tão evidentes tem ele trazido para o Porto, é uma questão que gostaria de deixar. E falando de Pinto da Costa, falo de não sei quantos dirigentes desportivos, presidentes de autarquias, industriais de hotelaria, chefes de departamentos municipais, enfim, todo um universo que se autoproclama defensor das causas do Norte, defensores de uma regionalização que apenas iria servir os seus propósitos de poder.

É certo que, como diz o autor do artigo, no caso Apito Dourado Pinto da Costa é inocente até prova em contrário. Também é certo que o Ministério Público tem como principal função, no Estado de Direito que é o nosso, o apuramento da verdade. Só não é certo que esta venha algum dia a ver a luz. Mas isto que digo agora é pura demagogia pois a procissão está ainda no adro e há-que aguentar até que o processo e o seu julgamento dêem frutos.

O que Pinto da Costa fez até agora pelo Porto foi, realmente, dar-lhe visibilidade – da mesma forma que o fizeram Valentim Loureiro, Mesquita Machado, entre tantos outros, até acabar em Fátima Felgueiras. Todos eles deram, de uma forma ou de outra, visibilidade aos seus feudos. Resta saber, porém, se o fizeram da melhor forma.

Eu acho que não. E a irritação por esta nomeação é prova disso. É prova equivalente à irritação que outros sentiram pela nomeação, no mesmo programa, de Salazar. E isto, meus amigos, nada tem que ver com regionalização.  O que eu penso é que talvez as nomeações para o “Pior Português” talvez tenham sido mais criteriosas que as outras… e que, tanto os piores como os melhores são ou foram, todos eles, porugueses, para o bem e para o mal. Acho eu, que sou do Porto.

» a começar a jornada

#00023

Um dos blogs que visito pela manhã é o Jornada. Blog pessoal de jornalista, é um daqueles espaços onde, em textos curtos, podemos ler as notícias pequenas que ninguém lê, a par de reflexões rápidas e frequentemente incisivas acerca dos principais assuntos da actualidade. Quando não reflecte, propõe a reflexão, o que gosto ainda mais.

A língua e a pátria é um bom exemplo disso. Segundo o Filinto, embora não tenha opinião formada acerca do assunto, considera que a língua, para além do nascimento, seja uma boa fronteira para a definição de nacionalidade.

Quanto à língua, existe uma citação romana pré-cristã que nos diz, mais coisa menos coisa, que um homem é tanto mais superior quanto o número de línguas que fala. Os antigos romanos são, neste campo, um exemplo a seguir. Na realidade, num contexto “globalizador” como era o da Pax Romana, não só foram capazes de articular o poder e culturas locais com o governo central, como souberam, em grande parte, aculturar-se nas regiões conquistadas. Não era por acaso que, depois de uma vida de guerra, os combatentes romanos tinham, como prémio, um pedaço de terreno da terra onde estivessem. Espalhar Roma geneticamente era também um objectivo e, muito cedo, a miscigenação começou. A das línguas também.

A relação de poder que existiu nesses tempos fez com que, acima de quase todas as outras línguas, sobrevivesse a latina. A escrita, o correio, a circulação de informação assim o ditaram. Ou seja, a par dos romanos que agiam localmente, os povos conquistados eram, por definição, romanos. Talvez tenha sido a primeira vez que se tenha dito “Think global, act local”.

Hoje as coisas não diferem muito desses tempos. A globalização continua, a Pax Americana existe, novos impérios orientais e ocidentais, novos ditadores e novos pensadores dão um formato um pouco à imagem dessa época. Talvez o Mundo não mude assim tanto, afinal.

No entanto, existem coisas que são diferentes desse tempo. Se os romanos respeitavam a língua e os deuses locais, ao que assistimos agora é, frequentemente, o contrário. Atente-se, por exemplo, no que se passa em Espanha com a línguas consideradas “dialectos” como o Galego, o Basco ou o Catalão. Na realidade, é aqui que a ideia que o Filinto tem assume os seus mais nítidos contornos, é em situações como esta que a língua é, realmente, uma fronteira, uma definição de nacionalidade.

Por outro lado, os surtos migratórios cada vez maiores provocados ainda e uma vez mais pela globalização, exigem uma nova definição de nacionalidade. Nacionalidade é relativa a onde nascemos ou onde vivemos? Nada impede que tenhamos duas, ou três… à futebolista. Mas creio que, neste caso, os ingleses têm razão.

Uma das principais causas de exclusão social é o ghetto. Eles chegam, vê-se a “etiqueta de origem” e é-lhes destinado um local “junto dos seus”. Estes locais são bairros sociais ou de lata [dos que já naõ existem] e são sítios onde os diferentes grupos se isolam. Falam todos a mesma língua dentro do grupo e, frequentemente, não falam a língua do país onde estão. Em Portugal isso verifica-se cada vez mais e o exemplo mais gritante que conheço é o da comunidade chinesa.

Os recentes acontecimentos de Paris ensinam-nos como o ghetto é perigoso. E num mundo com cada vez menos fronteiras físicas, sem fronteiras financeiras, um mundo onde o dinheiro corre de mão em mão e milhares correm atrás do dinheiro, a língua é realmente cada vez mais a pátria de quem a fala. A distinção entre iguais é quase uma necessidade absoluta.

Evitar o perigo neste contexto é ensinar aos imigrantes as ferramentas básicas de comunicação para que possam, rapidamente, integrar-se no mundo que os rodeia e que é, afinal de contas, a sua nova casa. Chegarem cá e aprenderem a língua, noções básicas da cultura do país e os principais rudimentos legais e da Constituição da Republica é o primeiro passo para se reconhecerem como cidadãos de pleno direito e se recusarem a uma vida no ghetto.

#00021 

Angel Boligan, “El Universal”

via Notas ao Café

#00010

A saúde pública é um domínio vasto que frequentemente entra nos caminhos da moral e dos costumes. Os queijos com alto teor de gordura serão perseguidos, da Serra da Estrela a São Jorge e ao Pico. Um dia haverá fiscais vigiando o teor de sal no bacalhau. As casas de família irão, com o tempo, transformar-se em antros de pecado – aí podemos comer pastéis de massa tenra, pataniscas, “bacalao al pil pil” ou à lagareiro, feijoadas e compotas preparadas com açúcar em vez de adoçante (havendo até quem fume um charuto no final, mais perigoso do que uma “erva” simplória, muito bem admitida socialmente). Um dia, mais tarde, os inspectores de saúde pública entrarão em nossa casa e desaprovarão as migas de bacalhau ou o feijão no forno. Na escola, os institutos da saúde perguntarão subtilmente às crianças se os pais têm por hábito comer fritos e barrar o pão com manteiga, essa substância perigosa. Justificarão. Justificarão sempre. Querem o nosso bem. Nunca sei o que é melhor, se a liberdade, se o comando da nossa saúde por políticos que elegemos com outras finalidades.

[…]

Querem exemplos? No caso do tabaco, vem de Novembro de 1959 a proibição de fumar dentro dos recintos fechados onde se realizem espectáculos (trata-se do Decreto-Lei n.º 42661, de 20 de Novembro, para lembrar). Essa lei foi revogada em 1983 e substituída pelo Decreto-Lei n.º 226/83 de 27 de Maio. Bastaria, porque está lá tudo. Mas não basta o espírito legislativo português precisa de mais. Não precisa de educar os miúdos e de facilitar a vida aos cidadãos – precisa de procedimentos administrativos e de leis. É isto Portugal.

Francisco José Viegas in JN

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